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Presidente palestiniano entre dois fogos: Hamas e Israel

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Presidente palestiniano entre dois fogos: Hamas e Israel

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A execução de três jovens judeus na Cisjordânia chocou toda a população do Estado de Israel. O governo de Netanyahu, dividido quanto à amplitude da resposta, deve ainda enfrentar a revolta na rua e as exigências dos grupos de extrema-direita, que querem punir os responsáveis imediatamente: “Queremos que o governo se una e tome uma decisão conjunta com o exército para esmagar o Hamas agora”
Tratado de traidor pelos manifestantes, o primeiro-ministro acabou por dizer o que os israelitas queriam ouvir:
“Devemos retaliar em força contra os ativistas do Hamas e contra as infraestruturas na Cisjordânia. Não vamos afrouxar nem dar descanso até atingirmos o último deles, independentemente de onde se esconderem. Vamos chegar a todos, mesmo que leve algum tempo.”
O exército israelita lançou uma vasta operação de detenções, logo a seguir ao desaparecimento dos três jovens, mas apenas suscitou deceção. Uns lamentam o acordo do Hamas com o Fatah, no passado mês de abril; outros exigem que Abbas renuncie à Aliança. Mas se o presidente palestiniano romper o acordo é como abandonar uma parte do seu povo e alinhar-se pelo Estado israelita. A cólera dos palestinianos já é avassaladora e o Hamas já fez saber que “qualquer ação bélica de Israel abrirá as portas do inferno”.
Quando Mahmoud Abbas condenou o sequestro, foi acusado de traidor pela oposição e nas redes socais.
“Esperamos que eles os encontrem vivos, porque são seres humanos, não executamos pessoas a sangue frio. Não o fazemos nem aceitamos que um inocente seja raptado para ser morto”.
A reação do Hamas vai influenciar qualquer operação de Israel. Se o movimento tivesse condenado o ato, como fez o presidente palestiniano, Telavive podia suspender as operações. Mas os responsáveis do Hamas apoiam o que chamam “atos de resistência contra a ocupação israelita”. Sami Abu Zuhri: “Avisamos a ocupação para evitar qualquer guerra ou agressão em larga escala contra o povo palestiniano. E sublinhamos a disponibilidade da resistência para enfrentar qualquer ataque, porque o preço que a ocupação vai pagar em troca da agressão será ainda maior.”
Com o Hamas disposto a levar a guerra às últimas consequências, o governo de Israel fica com pouca margem de manobra. Mas alguma resposta tem de dar, para apaziguar os ânimos dos nacionalistas de direita mas contentar a maioria, nomeadamente o chefe do Estado Maior, General Gantz.