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Chorar para pintar em Buenos Aires

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Chorar para pintar em Buenos Aires

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À primeira vista, não é propriamente uma técnica muito confortável, pelo menos para os espetadores. Mas o pintor argentino Leandro Granato já está mais do que habituado à estranheza das impressões iniciais. Aliás, é ele quem reclama a originalidade na criação deste método de pintar com lágrimas coloridas.

Um método, explica o artista, que surgiu como uma forma de terapia: “Quando o meu avô faleceu, tive de ser eu a tratar do funeral, não tive tempo de lidar com a minha dor, de chorar. Quando comecei a pintar, depois de fazer pintura corporal durante dois anos, pensei: porque não utilizar as minhas lágrimas? Fiz as minhas pesquisas, aperfeiçoei a técnica e levei dois anos para pintar o meu primeiro quadro.”

O artista que chora inala uma mistura especial de tinta preparada para o efeito. O saco lacrimal faz o resto. O tango é uma das grandes fontes de inspiração para este pintor de 28 anos que está progressivamente a ser descoberto pela comunidade artística de Buenos Aires. Leandro Granato tem bem presente os efeitos provocados pelo seu método. “É uma técnica que chama muito a atenção e que pode provocar mesmo repulsa. Pode gerar interesse ou emoções negativas. Isso é bom enquanto obra artística, porque não deixa ninguém indiferente”, considera.

Granato abriu um ateliê nos arredores de Buenos Aires onde mostra o novo olhar que pretende lançar sobre a pintura.