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Grécia: Greve contra privatização da energia corta luz e povo reclama

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Grécia: Greve contra privatização da energia corta luz e povo reclama

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A greve de 48 horas iniciada na madrugada de quinta-feira pelos trabalhadores da Empresa Pública de Energia grega está na base dos cortes de luz que afetaram algumas zonas do país e que, com os termómetros a subir, estão a irritar o povo. Afetados pelos “black outs” pontuais, esta quinta-feira à noite, foram alguns distritos de Atenas, diversas localidades remotas na ilha de Creta e outras zonas no norte e no sul do país.

Os cortes de luz terão sido provocados pela redução na produção energética motivada pela paragem de 13 centrais elétricas na noite de quarta-feira. A quebra significativa de produção motivou mesmo uma declaração de estado de emergência do operador da rede energética grega.

Em causa, está a oposição dos sindicatos ao plano – similar ao já aplicado em Portugal com a EDP e a chinesa Three Gorges – imposto pela “troika” ao governo grego de privatizar e ainda mais a empresa pública de energia, cujo controlo pertence em 51,1 por cento ao Estado. Liberalizar o setor energético é uma das condições chave do pacote de ajuda internacional de 240 mil milhões de euros apresentado à Grécia pela tríade União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu.

Os trabalhadores do setor energético estatal saíram para as ruas de Atenas para protestar contra o governo, mas o povo reclama, por outro lado, reclama contra os cortes de luz. É o caso de Zoi Regavi, proprietária de uma loja em Atenas, mas que ficou sensibilizada ao visitar “recentemente um hospital”. “Notei que há muitas pessoas doentes e a precisar do apoio de máquinas. Como é que se pode cortar a energia a estas pessoas?”, questionou esta lojista.

Dono de um “snack bar”, Thomas Mpellos está “muito preocupado” com os produtos refrigerados: “Tenho produtos perecíveis. Mesmo que sejam só por umas horas, os cortes de luz podem estragar-me estes produtos”. “Para além disso, estamos no verão e são esperadas temperaturas altas. Sem energia, também não haverá ar condicionado”, alertou.

As previsões para os próximos dias, em Atenas, aproximam os termómetros dos 40 graus. Para os sindicatos, porém, esse é o menor dos problemas, como nos explica o correspondente da euronews em Atenas, Akis Tatsis: “Os funcionários da Empresa Pública de Energia, que se manifestaram no centro de Atenas, garantem que a luta só agora começou para parar a privatização de parte da empresa. O Governo grego mostra-se, contudo, inflexível, e enfrenta as duras e acutilantes críticas da oposição nesta matéria da energia pública.”

Os partidos da oposição aceitaram, entretanto, uma proposta do Syriza, a principal força rival ao atual governo helénico, para se reunirem segunda-feira e acertarem agulhas com vista à realização de um referendo sobre a privatização em curso da Empresa Pública de Energia grega.