Última hora

Última hora

Dilma passa "pasta" do Mundial a Putin para a "Copa" de 2018

Em leitura:

Dilma passa "pasta" do Mundial a Putin para a "Copa" de 2018

Tamanho do texto Aa Aa

Está entregue o testemunho da organização do Mundial de Futebol ao próximo país organizador do maior torneio da FIFA. Pouco antes do apito inicial para a final deste domingo ganha pela Alemanha diante da Argentina, a Presidenta do Brasil, Dilma Roussef, e o homólogo russo, Vladimir Putin, encontraram-se no Estádio do Maracanã com o máximo responsável da FIFA para uma cerimónia especial e simbólica.

Sepp Blatter apadrinhou a passagem da responsabilidade de organizar um Mundial do Brasil à Rússia, o país organizador do próximo torneio em 2018. “Assistimos a um Mundial que foi um êxito e que vai certamente deixar uma herança neste país. Ao mesmo tempo, há uma responsabilidade ao próximo país anfitrião. Estou confiante de que a Rússia a vai assumir e proporcionar-nos um Mundial inesquecível”, afirmou o presidente da FIFA.


Dilma Rousseff defendeu que “o Brasil orgulha-se muito de ter sido mais uma vez palco da maior celebração do futebol no Mundo”. “Nos últimos 30 dias, o planeta esteve ligado ao Brasil, celebrando golos com muita emoção nas 12 cidades-sede e fazendo desta a ‘Copa’ das ‘Copas’. Estou certa de que todos os que vieram ao Brasil, como turistas ou integrando as delegações oficiais, levarão de volta lembranças da nossa hospitalidade e alegria. E nós, brasileiros, também teremos memórias inesquecíveis. Desejo ao povo russo muito sucesso na organização do Mundial 2018”, desejou a Presidenta do Brasil.

Do lado russo, o reconhecimento de Putin: “Quero congratular a presidenta Dilma Rousseff pela forma como o trabalho foi organizado. O futebol ajuda a solucionar problemas sociais. A nossa tarefa será criar as melhores condições para treinadores, jogadores e adeptos. Sou grato ao presidente Blatter e a toda a FIFA pela honra de organizar o Mundial. Faremos tudo o que pudermos para organizar o torneio ao mais alto nível.”



Após a cerimónia, os dois chefes de Estado sentaram-se na mesma fila nas bancadas do Maracanã, com Sepp Blatter ao meio e Angela Merkell, curiosamente, à direita de Dilma Roussef. A brasileira vestida de verde e a chanceler alemã de encarnado. As duas sofreram lado a lado com o desenrolar da final e a falta de golos até ao minuto 113.


O bonito golo de Mario Götze serviu como perfeito clímax para um Mundial repleto de bons jogos, grandes revelações – nomeadamente de guarda-redes -, algumas desilusões – Portugal, Espanha e Itália à cabeça -, e um máximo de 171 golos e uma média de 2,67 golos/ jogo, tal como no França’98 – o recorde desde que o torneio passou a ter 64 partidas há 16 anos. Melhor média, só no Espanha’82 (2,8 = 146g/52j) e no Argentina’78 (2,68 = 102g/38j) e em todos os mundiais entre 1930 e 1970.

Para o Brasil, de herança, fica sobretudo um amargo desportivo por não ter ganho o torneio – a segunda vez que falha o título em casa – e nem sequer ter conseguido entrar no pódio, sofrendo 10 golos nos dois derradeiros jogos na prova e vendo a grande estrela, Neymar, a sair lesionado dos quartos-de-final com gravidade.


Mas, para lá das estimativas otimistas de uma entrada de cerca de 30 mil milhões de reais (10 mil milhões de euros) na economia brasileira com a organização deste Mundial, ficam também 12 estádios de luxo com o chamado “padrão FIFA”. Alguns deles ameaçados pelo exemplo verificado, por exemplo, em Portugal com os estádios de Leiria, Aveiro e Algarve, construídos para o Euro’2004 e daí para cá quase sem uso.

“A preocupação do governo brasileiro é muito mais com o pós-‘Copa’. Nós construímos arenas muito bonitas, mas que com certeza terão um preço de manutenção muito maior do que os outros estádios e a renda proveniente do futebol não é muito elevada”, lamentava, na semana passada, o ministro do Desporto brasileiro, Aldo Rebelo, que, “para reduzir o preço dos ingressos” nos jogos nacionais que venham a ser realizados nos novos estádios, alerta que será preciso “tomar providências para atrair pessoas de baixos rendimentos” às partidas.


Segue-se, dentro de quatro anos, a Rússia. Olhando ao que foi feito recentemente nos jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi, é de esperar um investimento bem avultado por parte do Kremlin na preparação do que Putin espera certamente que venha a ser o melhor Mundial da história.