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BRIC reúnem-se para criar um "mundo" à parte

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BRIC reúnem-se para criar um "mundo" à parte

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São as grandes potências emergentes. O conjunto de países conhecido como BRIC organiza no Brasil a sua sexta cimeira anual, entre Fortaleza e Brasília, para aprofundar um objetivo bem delineado: a criação de contextos feitos à sua medida.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul decidiram lançar as bases de um sistema financeiro alternativo, considerando que os seus interesses não são devidamente acautelados por instituições como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional. Afinal, as necessidades destes países são gigantescas, sobretudo no que toca à rede de infraestruturas.

Por isso, os BRIC vão criar o seu próprio banco, com um capital inicial de 50 mil milhões de dólares, montante repartido em iguais contribuições de cada membro. Na eventualidade de uma crise financeira, será também instituído um fundo de reservas que ascenderá aos 100 mil milhões de dólares: 41 mil milhões da China, 18 mil milhões da Rússia, Índia e Brasil e, finalmente, a África do Sul avançará com 5 mil milhões.

Mas nem tudo é consensual. A cidade de Xangai, proposta para acolher a sede do banco, não recolhe unanimidade, entre receios de que a China possa instrumentalizar a instituição no futuro para servir os seus próprios interesses. A verdade é que o gigante asiático não pára de crescer, numa altura em que as economias russa e brasileira estão a perder o ritmo: ambas prevêem um crescimento de cerca de 1% este ano.

No entanto, os BRIC representam nada menos do que 40% da população mundial, como relembra a analista da Goldman Sachs, Cui Li: “Eles vão continuar a ser muito importantes, são os maiores mercados emergentes. Nos últimos anos, os BRIC assumiram perto de metade do crescimento económico mundial. Portanto, é a este nível que ascendem as suas contribuições, são entidades muito relevantes.”

A cimeira decorre também numa altura em que a Rússia se encontra cada vez mais isolada. Esta é a oportunidade para Vladimir Putin regressar aos palcos da política internacional, depois de ter sido colocado à margem do G8, na sequência da crise ucraniana e da anexação da Crimeia. E este é um exemplo da diplomacia multilateral que os BRIC pretendem defender.