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Toulouse-Lautrec: do feio nasce o bonito

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Toulouse-Lautrec: do feio nasce o bonito

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O museu de Belas Artes de Budapeste abre portas ao mundo de Toulouse-Lautrec. A instituição húngara possui um vasto conjunto de obras do pintor francês pós-impressionista.A exposição reúne 170 peças, entre pinturas, aguarelas, litografias e desenhos.

“A nossa coleção de Toulouse-Lautrec é uma das maiores do mundo. Temos mais de duzentas obras. Foram exibidas há 50 anos no âmbito do centenário do artista”, sublinha o diretor do museu, László Baán.

Lautrec realizou a primeira litografia em 1891, seguindo os conselhos de Pierre Bonnard. O pintor começou a frequentar a vida noturna parisiense aos 20 anos e fez vários amigos entre os artistas.

“Muitas bailarinas e cantoras gostavam dos cartazes de Lautrec, é o caso de Jane Avril. Mas a Yvette Guilbert não gostava do estilo dele, achava que os retratos eram feios. Mas o Lautrec não desenhava caras feias nem bonitas, queria mostrar motivos específicos e típicos, ele pensava que era a base da boa publicidade”, explicou Kata Bodor, comissária da exposição.

Na época de Lautrec, artistas francesas atuavam na Hungria. Em Budapeste, há mesmo um cabaret chamado Moulin Rouge.

“Era um privilégio ser alvo de ironia naquele tempo. É por isso que Lautrec foi corajoso ao não mostrar belezas perfeitas nos cartazes. Mesmo a Yvette Guilbert ou a Sarah Bernhardt não eram muito bonitas. A Sarah Bernhardt encomendava fatos especiais para esconder as suas imperfeições físicas e o Lautrec foi corajoso em mostrar as personagens reais. Talvez seja esse o segredo do seu sucesso”, considerou o historiador de teatro Tamás Gajdó.

Toulouse Lautrec sofria de uma doença que o impediu de crescer. Media um metro e cinquenta e tinha vários problemas físicos. Por isso as artistas viam-no como um amigo e deixavam-no entrar na sua intimidade.

“Lautrec percebeu que os clubes noturnos não eram frequentados por mulheres e que os homens vinham também à noite como clientes. E ele quis retratar o dia-a-dia das prostitutas. Uma prostituta faz a mesma coisa que qualquer mulher, acorda despenteada, toma banho, conversa, espera pelos clientes com um ar chateado ou com uma cara sorridente”, contou a comissária.

A exposição pode ser visitada em Budapeste até ao final do mês de agosto.