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Gaza revolta-se contra a guerra e há quem recorra a Cristiano Ronaldo

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Gaza revolta-se contra a guerra e há quem recorra a Cristiano Ronaldo

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Os sangrentos bombardeamentos que se mantém há vários dias entre Israel e o Hamas, na Faixa da Gaza, não param de fazer vítimas entre os civis palestinianos e a população da cidade islâmica começa a revoltar-se contra ambos os lados de um conflito histórico, mas que parece ter atingido um ponto de ebulição insuportável para os meros residentes do enclave palestiniano.

O grupo ativista juvenil, denominado Gaza Youth Breaks Out (tradução à letra: “Juventude de Gaza liberta-se”), recorre até ao futebolista português Cristiano Ronaldo de uma forma macabra para chocar o mundo. O objetivo é tentar chamar o máximo de atenção para um conflito que, desde 8 de julho, já matou mais de 220 palestinianos e deixou feridos mais de 1500.

A revolta entre habitantes da própria cidade de Gaza está a levantar-se contra ambos os lados. Sublinhada até pelo cessar-fogo proposto pelo Egito – país que faz fronteira, em Rafah, com a zona de conflito -, que teve recetividade pelos israelitas, mas que foi recusado pelo Hamas, a organização islâmica que controla a Faixa de Gaza.


Os bombardeamentos mantêm-se e inocentes continuam a morrer. Esta quarta-feira, pelo menos mais 23 palestinianos terão sido vítimas de uma nova série de ataques a partir de Israel para o norte da Faixa de Gaza, em resposta a alegados roquetes lançados pelo Hamas para o território israelita.

Uma das nossas equipas de reportagem em Gaza ouviu alguns residentes na cidade. A saturação e a revolta são naturais. “Esta guerra está apenas a atingir inocentes. Não vejo qualquer interesse em que este conflito continue. Nós queremos ter uma vida decente e queremos o fim deste bloqueio israelita para que o povo da Palestina – que tem estado privado de tudo – possa de uma vez simplesmente viver”, afirma um palestiniano.

Um outro, mais jovem, revela que, ao contrário do que se passa por exemplo em Telavive, em Gaza “não existe qualquer refúgio seguro”: “Os civis são alvejados e são as próprias pessoas que têm de procurar um abrigo. Somos um povo cercado e oprimido. Precisamos de ajuda. Já chega de humilharem a população de Gaza.”

Um terceiro palestiniano de Gaza alega que “falta uma verdadeira iniciativa de paz”. “Uma que responda aos nossos apelos para que possamos viver porque isto… isto não é viver”, concretiza.

O Gaza Youth Breaks Out, na campanha que tem vindo a intensificar contra esta guerra, “dispara” em todas direções. O grupo, que se expressa através de um blogue e das redes sociais na Internet, aponta o dedo aos responsáveis pelo continuar dos bombardeamentos, em especial as forças de defesa israelitas.