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Televisões europeias destacam a guerra em Gaza

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Televisões europeias destacam a guerra em Gaza

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Uma escalada mortífera lançada esta semana, em Gaza, com a invasão terrestre do enclave palestiniano governado pelo Hamas que, por seu lado, continua a lançar roquetes para o território israelita. Reportagem da SF1 – televisão suíça do cantão alemão:
Como flocos de neve, caem do céu panfletos de alerta do exército israelita: abandonem as vossas casas para própria segurança.” Também sms e chamadas telefónicas automáticas com ao aviso para fugir da cidade de Gaza.
Um velho palestiniano encolhe os ombros e resigna-se: – Para onde podemos ir? É melhor morrer em casa!
Outros, obedecem e refugiam-se nas escolas da ONU. Eram 21 mil refugiados só esta manhã.
Israel aumentou a lista de alvos a abater. A casa de Mahmoud Asahar, fundador e dirigente político do Hamas está destruída. Até agora, Israel só atacava as casas dos dirigentes das Brigadas de Qassam, ala militar do Hamas. Mas agora também atinge as casas dos dirigentes políticos.
A Human Rights Watch critica: Israel não está apenas a atacar objetivos militares legítimos, é preciso parar estes bombardeamentos, ams as autoridades de Israel negam.
A situação não é trágica apenas por causa dos bombardeamentos, mas pelas prórpias condições de vida nos campos de refugiados, como nos diz o responsável: – Um milhão e seiscentos mil habitantes na Faixa de Gaza, entre os quais, um milhão e 200 são refugiados de longa data. O mundo não pode ignorar quze tanta gente dependa da ajuda humanitária sem procurar uma solução justa e definitiva e sem refletir sobre a origem do problema.
Mas como não há diálogo, as duas partes continuam com o fogo cruzado.
O exército israelita acusa o Hamas de ter túneis para esconder e disparar os roquetes. Os vídeos constituem a prova e justificação para os bombardeamentos de Gaza. Ora, segundo a televisão turca, as bombas utilizadas pelo exército israelita não são convencionais:
Os aviões israelitas fazem chover a morte. Depois da tentativa fracassada do Egito para encontrar uma solução de paz, Israel intensificou o bombardeamento aéreo. As casas dos quatro dirigentes mais importantes do Hamas, Mahmoud Zahar, Jamila Chanti, Fethi Hamas e Ismail Achkin, foram destruídas pelas bombas do Tsahal.
Israel utilizou no passado bombas de fragmentação, por isso foi objeto de duras críticas. Desta vez, massacra os civis com as “bombas de pó”, armamento químico, no geral, com um potencial destrutivo muito importante. Tornam a cicatrização das feridas quase impossível.
Um médico explica ao jornalista turco: – Uma pessoa ferida por uma “bomba de pó”, normalmente, perde as duas pernas. Estas bombas não ferem como as outras: algumas contêm um metal líquido que se projeta sobre as vítimas.
A utilização destas armas constitui crime de guerra. As bombas de pó aumentam consideralvelmente o número de mortos e de feridos. No hospital de Gaza há falta de medicamentos, material cirúrgico, produtos de base e pessoal.
Neste contexto, não têm como tratar de todos os feridos.
Shimon Péres está a favor dos bombardeamentos, alegando que o silêncio dos árabes alguma coisa quer dizer: – A situação em Gaza é trágica. Infelizmente não há solução. Corrijam-me, se me engano, mas o Hamas está em ruptura com os países árabes – afirmou na televisão estatal.
Mas o pior está para vir, por causa do bloqueio israelita.
Dezenas de milhares de palestinianos, do norte e do leste da Faixa de Gaza, são obrigados a fugir de casa.
“Não dormimos de noite, temos medo”, lamenta uma idosa.

O funeral de quatro rapazes mortos na praia de Gaza, com uma granada de obus lançada de um navio de guerra israelita, serviu para denunciar que três quatros dos mortos palestinianos são civis, segundo a ONU. As Nações Unidas pediram uma trégua de cinco horas, por razões humanitárias. A TVE focou este ângulo, na quinta-feira:
Gaza está à beira do colapso. Os habitantes têm apenas cinco horas de descanso. Em frente às caixas automáticas é um caos: ninguém recebeu os salários de junho.
O desespero e os ataques de nervos são constantes, depois de 10 dias de bombardeamentos israelitas.
“Não há dinheiro e precisamos de comprar comida para a família”, queixa-se um jovem chefe de família.
No passeio, uma idoso espera que alguém a ajuda a tirar dinheiro.
A guerra torna ainda mais crítica toda a situação.
Desde a formação do governo de unidade, só os funcionários da Autoridades Palestiniana receberam os salários, mas não os do Hamas. A 1 de julho, o movimento islâmico encerrou os bancos sem que todos recebessem, incluindo os milicianos.
Todos se despacham para conseguir satisfazer as necessidades básicas. Yahia enche o depósito de água potável, depois de vários dias de racionamento de um bem tão essencial quanto escasso.
Normalmente, só há uma hora de água corrente, dia sim dia não. Temos de encher o que pudermos, mas com a guerra é impossível, diz-nos lavado em suor.
A vida tem de retomar o seu curso mas falta tudo, como lamenta o dono da oficina, sem eletricidade.
“Abro pela primeira vez em dez dias, e nestas condições”, diz o proprietário.
Gaza precisa mais do que um cessar-fogo para sair do impasse.
Toda a semana as sirenes soaram em Israel para as pessoas se abrigarem dos ataques do Hamas. Os que correm mnais perigo estão em aldeias fronteiriças, perto de Gaza. A reportagem da France 2 esteve nas duas frentes:
Do terraço de casa, Sami al Sagout, palestiniano, tem uma vista privilegiada para Israel.
“A fronteira é ali, vê a sentinela? São soldados israelitas na guarita.
A poucos quilómetros de distância, do outro lado, Reuven Nahon, o israelita, também está na primeira linha.
Na verdade, a Faixa de Gaza é ali….
Separados por uma fronteira são vizinhos na linha de frente.
A janela explodiu há alguns anos atrás.
Em Gaza, a casa de Sami al Sagout sofreu com os ataques de 2009.
“Na parede ficaram os impactos das balas”.
Eis porque o destino dos dois vizinhos é idêntico.
“O Qassam entrou por ali às 11:20 da manhã, hoje”.
A granada de obus palestiniana estoirou no armazém esta manhã, mas não fez vítimas.
Em Gaza, Sami al Sagout enviou os oito filhos para casa do irmão, além fronteiras. “Estes são dois dos meus filhos.”
Teme novos ataques.
Os residentes do lado israelita tentam proteger a creche, o trabalho está em andamento. Entretanto, as crianças já não estão autorizadas a sair.
Reuven Nahon e a mulher decidiram pôr os filhos a dormir no abrigo.
“Este é o quarto das crianças. É melhor ficarem aqui para não termos de as acordar e corrermos a meio da noite. “
Porque aqui, em caso de bombardeamentos dos paletinianos de Gaza, os residentes dispõem de 12 segundos até a carga explodir no solo.
A poucos quilómetros de distância, o facto não alegra os vizinhos.
“Eu não fico feliz em ver os obuses a dispararem contra, queremos paz. Antes , eu trabalhava lá. Éramos irmãos.”
Irmãos, Reuven Nahon também quer acreditar que é possível…. – Sofrem em ambos os lados? – Sim. – O que dirá quando isto acabar? – Que devemos chegar a um acordo! Não há escolha. Não podemos continuar eternamente … nem falo por mim, nem mesmo pelos meus filhos, mas pelos meus netos. “
Um discurso de apaziguamento, muito diferente da mensagem de guerra que passa ne fronteira entre Israel e Gaza.