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"A revolta e incompreensão dos palestinianos em Jerusalém"

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"A revolta e incompreensão dos palestinianos em Jerusalém"

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A partir de Jerusalém, entrevista com a enviada especial a Israel e a Gaza, Valérie Gauriat, que faz um ponto da situação um dia depois do arranque da operação terrestre do exército israelita.

euronews: Após o início da ofensiva terrestre, qual era a atmosfera que se vivia no centro de Jerusalém?

Valérie Gauriat: Há aqui um sentimento muito forte de frustração, de raiva, de inquietação. É verdade que o centro da cidade se encontra vedado, há barreiras policiais e soldados um pouco por todo o lado. Mas é o que acontece em Gaza que está a deixar as pessoas revoltadas, ainda mais porque há consequências que se repercutem entre a população da parte este de Jerusalém. Esta tarde diziam-nos que, nos arredores de al-Aqsa, houve confrontos que provocaram vários feridos, houve detenções. Tudo isto aumenta a revolta e a incompreensão dos palestinianos em Jerusalém.

euronews: Numa altura em que o conflito redobra de intensidade e que as vítimas se multiplicam, há uma mobilização dos pacifistas. Ontem assistiu-se a uma manifestação…

VG: São movimentos ainda minoritários em Israel. A manifestação a que assistimos foi organizada por um movimento israelo-palestiniano. Mas havia muito poucos palestinianos entre as centenas de pessoas que compareceram. Disseram-nos que o que se passa em Gaza provoca demasiada revolta para que haja uma participação equilibrada entre as duas comunidades. Também vimos uma contra-manifestação de um grupo de extremistas israelitas que defendiam que Gaza deve ser arrasada. É igualmente uma mobilização muito minoritária. Ao mesmo tempo, entre os israelitas há um sentimento de inquietação, de angústia muito contestado do lado palestiniano, porque não se compreende que o país que dispõe do quinto exército mais poderoso do mundo possa exercer tamanha violência sobre uma população que é vulnerável. Mas os israelitas dizem que ela é manipulada pelo Hamas.