Última hora

Última hora

Coreia do sul: Cadáver encontrado era o dono do ferry que matou 300 pessoas

Em leitura:

Coreia do sul: Cadáver encontrado era o dono do ferry que matou 300 pessoas

Tamanho do texto Aa Aa

Está confirmado! O corpo encontrado em junho na Coreia do Sul é o do milionário Yoo Byung-eun, o homem mais procurado no país. O alegado fugitivo estava desaparecido desde abril, quando um “ferry boat” de uma companhia que ele detinha naufragou ao largo da ilha de Jindo, matando 304 pessoas – a maioria jovens estudantes.

A confirmação da identidade do homem surgiu após análises de ADN ao cadáver descoberto já em avançado estado de decomposição numa zona agrícola, próxima de Suncheon, uma cidade 300 quilómetros a sul de Seul.


O milionário, empresário e também líder religioso era procurado pela polícia sul-coreana sob suspeitas de fraude e negligência que podem ter influenciado o trágico naufrágio do “ferry” Sewol, há três meses.

Yoo Byung-eun, de 73 anos, era o dono da companhia Chonghaejin Marine Co., a que pertencia a embarcação. O milionário era procurado para interrogatório desde o acidente e as autoridades já haviam, inclusive, oferecido um prémio de mais de 300 mil euros por informações que conduzissem à sua captura. Vários familiares de Yoo Byung-eun estão detidos, na sequência deste caso, e a filha, a viver em França, está a lutar na justiça contra um pedido de extradição solicitado pela Coreia do sul. Yoo Dae-Kyun, o filho mais velho do milionário, mantém-se alegadamente em fuga, com um prémio de captura avaliado em pouco mais de 70 mil euros.

O “Sewol” naufragou a 16 de abril, ao largo da ilha sul-coreana de Jindo, quando fazia a ligação entre Incheon e Jeju, no sul do país. Das 476 pessoas que seguiam a bordo, apenas 172 sobreviveram. Uma das causas para o elevado número de mortos terá sido a má abordagem do capitão do barco que insistiu nas ordens para que os passageiros – a larga maioria jovens estudantes – se mantivessem imobilizados nas cabines.

O naufrágio deu origem a dois julgamentos distintos: um que coloca no banco dos réus o capitão e a tripulação do barco, sob acusação de homicídio involuntário; outro contra a companhia detentora da embarcação e detida pela família de Yoo Byung-eun, em parte por ter promovido a modificação ilegal do navio para aumentar a lotação.

Numa visita oficial de dois dias à Coreia do Sul, o Presidente da República Portuguesa transmitiu, entretanto, à homóloga sul-coreana Park Geun-hye “uma palavra de solidariedade face ao trágico naufrágio do ‘ferry’ Sewol”, em abril. Na declaração proferida segunda-feira, Cavaco Silva acrescentou que “o povo português acompanhou e partilhou a dor do povo amigo coreano nessa tragédia em que perederam a vida tantos jovens coreanos.”