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Itália: Costa Concordia levanta âncora rumo à "morte"

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Itália: Costa Concordia levanta âncora rumo à "morte"

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Começou a última viagem do Costa Concordia. Perante os olhares de muitos curiosos, nomeadamente turistas, o paquete de luxo que naufragou há dois anos e meio ao largo da ilha italiana de Giglio, no Mediterrâneo, numa tragédia que custou a vida a 32 pessoas, começou esta quarta-feira a ser rebocado rumo a Génova, onde será desmantelado.


Catorze barcos, incluindo dois rebocadores, fazem parte do comboio que acompanha esta derradeira viagem do tragicamente famoso Costa Concordia – uma fase delicada onde é necessário verificar durante o percurso se o navio não liberta substâncias poluentes para o Mediterrâneo. As sirenes de partida soaram por volta das 11 horas locais (menos uma em Lisboa) e a chegada a Génova, no norte de Itália, a cerca de 200 milhas náuticas (370 quilómetros) de Giglio, está prevista para domingo, com o percurso a ser cumprido a uma velocidade estimada de 2 nós por hora (cerca de 3,5km/h).

Angela Vicino, uma habitual turista na ilha de Giglio, já ansiava pelo adeus ao Costa Concordia, que era, há mais de dois anos, pouco mais do que um mero mono afundado duas vezes e meia maior que o famoso Titanic. “Estou um pouco preocupada. Espero que tudo decorra bem e que, de uma vez por todas, o barco de facto parta. Mal posso esperar para que a ilha volte à normalidade.”


A operação de remoção e desmantelamento do já muito ferrugento e condenado à “morte” Costa Concordia está avaliada 1,5 mil milhões de euros – a construção do barco havia custado cerca de 470 milhões de euros. Há vários meses que diversas equipas de engenheiros e peritos trabalhavam junto do navio naufragado para o endireitar e voltarem a coloca-lo a flutuar de forma a conseguirem reboca-lo rumo à sucata.

O Costa Concordia naufragou a 13 de janeiro de 2012, ao navegar demasiado próximo da costa da ilha de Giglio e encalhar numa rocha, o que fez virar-se de lado e afundar-se pela metade. Seguiam a bordo 4229 pessoas, 32 não se salvaram e mais de 60 ficaram feridas – há ainda uma pessoa por encontrar.

O capitão Francesco Schettino, que terá sido contra todas as regras um dos primeiros a abandonar o paquete, está a ser julgado na Toscana por múltiplo homicídio e por ter fugido antes de prestar o devido auxílio aos passageiros. O réu defende-se, alegando que o rochedo onde o barco encalhou não constava das cartas marítimas.