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MH17: Restos mortais voam para a Holanda para se descobrir quem é quem

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MH17: Restos mortais voam para a Holanda para se descobrir quem é quem

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Estão já em trânsito aéreo, a caminho de Eindhoven, na Holanda, os primeiros caixões com restos mortais das vítimas do voo comercial MH17, que caiu quinta-feira, no leste da Ucrânia, sem deixar sobreviventes entre as 298 pessoas que seguiam a bordo.

Trasladados de comboio na véspera desde a região leste de Donetsk Oblast – controlada por rebeldes separatistas pró-russos – e após uma cerimónia em memória das vítimas ainda no aeroporto de Kharkiv – cidade no nordeste controlada pelo governo ucraniano -, os caixões com os restos mortais foram embarcados nos dois aviões, um Hércules holandês e um C-17 australiano, fretados para os transportar rumo à Holanda.

A primeira escala é a base aérea de Eindhoven, de onde seguirão para Hilversum, uma localidade no norte da Holanda a cerca de 30 quilómetros de Amesterdão. A autoestrada que liga Eindhoven a Hilversum deverá ser cortada durante esta tarde pelas autoridades holandesas para “assegurar um trajeto digno”, sublinhou o Ministério holandês das infraestruturas, para o comboio de veículos que transportarão os caixões nessa outra etapa da viagem.


Com o governo liderado por Mark Rutte a decretar dia de Luto Nacional na Holanda e todos os edifícios públicos a colocar as respetivas bandeiras a meia haste, está ainda programado um minuto de silêncio no país assim que o primeiro avião com vítimas do avião malaio aterre em Eindhoven.

No início desta operação de trasladação dos restos mortais das vítimas foi avançado que estariam cerca de 280 corpos a bordo do comboio refrigerado que ligou a localidade de Torez, em Donetsk Oblast, a Kharkiv. A verdade, porém, parece ser mais macabra, de acordo com as palavras de Jan Tuinder, o chefe da equipa forense holandesa presente na Ucrânia: “Havia mais pessoas a bordo do avião. Ainda há corpos por descobrir. Por isso, não estamos ainda em posição de poder dizer a que pessoas pertencem os restos mortais que encontrámos. Ao que sabemos, para já são 200 corpos.”

Na Holanda, os restos mortais serão alvo de exames de ADN e só então se saberá quem é quem entre os restos mortais já recolhidos no local da queda do aparelho. A bordo deste voo MH17, que fazia ligação entre Amesterdão e Kuala Lumpur, seguiam 15 tripulantes malaios e 283 passageiros, dos quais 193 eram holandeses, 28 malaios, 27 australianos, 12 indonésios, 10 britânicos, 4 belgas, 4 alemães, 3 filipinos, um canadiano e um neozelandês.


Os controladores aéreos perderam contacto com o avião quando este sobrevoava a região leste ucraniana de Donetsk Oblast, que tem sido palco de violentos combates entre o exército e rebeldes separatistas pró-russos. Suspeita-se que o Boeing 777 da Malaysian Airlines tenha sido abatido por engano pelas milícias separatistas, com recurso a um míssil de fabrico russo. De início, os rebeldes obstruíram a investigação do local acidente por peritos internacionais, mas face às pressões internacionais e a um pequeno impulso do Kremlin os separatistas ucranianos acabariam por dar espaço às equipas forenses da Malásia e da Holanda e entregaram igualmente as caixas negras do aparelho que já haviam recolhido.

As duas caixas negras já estão, entretanto, no Reino Unido, onde serão examinadas por especialistas para se tentar apurar o que de facto aconteceu ao voo MH17 quando voava a cerca de 10 mil pés no espaço aéreo ucraniano a cerca de 60 quilómetros da fronteira com a Rússia.