Última hora

Última hora

Meriam: De condenada à morte a abençoada pelo Papa Francisco

Em leitura:

Meriam: De condenada à morte a abençoada pelo Papa Francisco

Tamanho do texto Aa Aa

O Sumo Pontifície da igreja católica recebeu esta quinta-feira, no Vaticano, a visita da mulher que esteve condenada à morte no Sudão por ter abdicado da religião islâmica, ter casado com um cristão e se ter convertido ao cristianismo.

Depois da incerteza que rodeou o futuro desta sudanesa de 27 anos, que se casou com um cristão, Meriam Ibrahim está finalmente livre da condenação no Sudão e livre para viajar para os Estados Unidos, onde poderá viver em paz ao lado da família.

A Itália já se tinha oferecido para ajudar a resolver o diferendo com as autoridades sudanesas e agora foi o Papa Francisco também a associar-se ao caso, descrevendo como um “testemunho de fé” a coragem de Meriam Ibrahim Ishag em converter-se ao cristianismo num país de tão forte influência islâmica como é o Sudão desde 1983 e onde a conversão para outras religiões é proibida.

A mulher agradeceu o “grande apoio e encorajamento dados pelas orações do Papa e de muitos outros crentes e pessoas de boa vontade”, lê-se numa nota publicada pela Santa Sé.

Meriam Ibrahim Ishag viajou para Roma num voo de Estado italiano e foi recebida no aeroporto de Ciampino pelo primeiro-ministro Matteo Renzi, que estava acompanhado da respetiva mulher, Agnese, e ainda pela ministra das Relações Exteriores, Federica Mogherini.

Depois passou meia hora com o Papa na Casa de Santa Marta, no Vaticano, acompanhada pelo marido e dos dois filhos – o mais novo, uma menina, da qual estava grávida quando foi detida e deu à luz na prisão. A sentença sudanesa de 100 chicotadas pelo alegado adultério por ter casado com o cristão e de morte pela conversão ao cristianismo gerou uma onda de críticas internacionais.

O Bom Pastor com Meriam Ibrahim e família, que Deus os abençoes e proteja pic.twitter.com/4Vh07FTK7t— João Paulo Reis (@jppreis) 24 julho 2014

A punição acabou por ser cancelada em junho. Mas quando tentou deixar o Sudão, Meriam Ibrahim Ishag voltou a ser detida por alegada falta de documentos que lhe permitiam deixar o país. Agora, para esta deslocação a Itália, um oficial sudanês esclareceu à Reuters que “as autoridades não a impediram de partir porque a viagem já era conhecida e foi aprovada com antecedência.”

Antes de partir rumo a Roma, Meriam Ibrahim e a família optaram por refugiar-se na representação diplomática dos Estados Unidos no Sudão. Toda a família foi abençoada na Santa Sé e agora tem como próximo destino uma nova vida nos Estados Unidos. Em paz.