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Morte e luto no fim do Ramadão em Gaza

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Morte e luto no fim do Ramadão em Gaza

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Este ano, o fim do Ramadão não se celebra de forma entusiástica em Gaza. Não há dinheiro nem vontade de festejar, como todos os anos, o fim do jejum, o Eid.

Uma nuvem negra, causada por uma guerra que já matou quase 900 palestinianos, paira sobre Gaza. Nas ruas, mesquitas e mercados é de morte e luto que se fala:

“Não há Eid. Este é o Eid dos assassinos. O que vamos fazer, durante o Eid, é ir buscar os nossos familiares, os mártires, às suas casas. Vamos trazer estes mártires para o cemitério e orar por eles”, diz um habitante de Gaza.

Para os palestinianos, entre centenas de mortos e feridos, não há nada para comemorar. A luz ao fundo do túnel chama-se cessar-fogo mas a esperança é pouca e, de uma forma ou de outra, esta é uma guerra que vai deixar marcas profundas:

“Depois desta matança e destruição, o que é que vamos preparar para o Eid? Agora, estamos todos a preparar o nosso caixão. Tudo o que nos rodeia é a destruição. Fomos evacuados de Sagaya. Deixámos a fronteira para vir para aqui. Não vamos preparar nada, para além da nossa morte”, desabafa outro morador.

O fim do Ramadão, para os comerciantes de Gaza, sinal de agitação e de trabalho, ganha um novo significado, a braços com uma crise sem fim à vista e temendo pela vida, eles sentem também o prenúncio de uma morte anunciada:

“Esta temporada está morta. As pessoas não têm dinheiro. As autoridades de Ramallah podem pagar salários, mas aqui, o Hamas, não pode pagar aos seus funcionários. Há quatro meses que eles não recebem.

Os comerciantes precisam de importar bens e, para isso, precisam de dinheiro dos clientes. Mas se os clientes não têm dinheiro temos um grande problema social. Toda a nossa sociedade será destruída”, explica um vendedor.

Israel lançou-se numa guerra contra o Hamas mas são, maioritariamente, os civis que sofrem neste Ramadão:

“O Ramadão desenrolou-se ao ritmo dos bombardeamentos em Gaza e muitos duvidam que as orações sejam suficientes para calar de vez as armas. Aconteça o que acontecer, aqui, as festividades do Eid terão um gosto muito amargo”, adianta a correspondente da euronews, em Gaza, Valerie Gauriat.