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O acordo secreto para vender alemães


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O acordo secreto para vender alemães

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Na Roménia, durante séculos, viveram lado a lado, romenos, húngaros e alemães, entre outras nacionalidades.

Uma coexistência que o próprio ditador Nicolae Ceaușescu reconheceu num discurso público. Mas um dia essa realidade mudou.

Pouco gente sabe que a Roménia vendeu, durante a guerra fria, 250 mil alemães à Alemanha. Houve um acordo secreto entre os governos da Alemanha e da Roménia. Este comércio humano é o tema de um documentário produzido na Roménia.

O filme chama-se “Trading germans”, em tradução livre “Venda de alemães”.

Tudo começou no início dos anos 60 com o colapso da economia romena e a supressão das liberdades durante a era comunista.

A Alemanha ofereceu uma importante compensação financeira em troca do regresso das populações germano-romenas.

A euronews falou com o produtor do documentário, Alexandru Solomon.

“Há dois anos, foi publicado um livro de história, um volume enorme escrito por historiadores que estudaram os arquivos dos serviços secretos. O livro tinha mil páginas e incluía os arquivos romenos sobre estas negociações”, explicou Alexandru Solomon.

Durante as negociações, os alemães fizeram-se representar por Heinz Günther Hüsch.

O enviado de Berlim viajou até à Roménia com com uma mala recheada de marcos.

“O processo de abertura dos arquivos foi doloroso porque tem a ver com questões políticas mas também tem a ver com a vida das pessoas e há pessoas citadas nos ficheiros que foram afetadas por essa realidade. Podem dizer que é uma coisa do passado mas na verdade é uma coisa do presente, com que nós vivemos”, disse Alexandru Solomon.

o documentário conta a história de Karl Hahn que deixou a Roménia no final dos anos setenta por um preço que o próprio considera barato já que anos mais tarde o governo romeno começou a exigir somas maiores.

Erika Lazar partiu em 1983. A liberdade custou 47 mil marcos. Nessa altura, muita gente queria partir, era esse o preço a pagar.

O que torna esta história universal na Europa de 2014, é a questão da identidade. Quer sejam alemães ou romenos, a família viveu séculos na Transilvânia. Qual é o país de origem? O que aconteceria se um dia devido ao contexto histórico e às dificuldades tivesse de partir?” considerou Alexandru Solomon.

Os alemães que viviam na Roménia falavam o idioma de origem e tinham escolas de língua alemã.

Quando Erika Lazar chegou à Alemanha teve dificuldade em adaptar-se à terra dos seus antepassados, um país muito diferente do regime comunista de Nicolae Ceaușescu.

“Penso que existem comunidades em toda a Europa que se identificam com esta história de imigração de massa. É a história da última grande migração de massa europeia”, afirmou Alexandru Solomon.

O documentário estreia em vários festivais de cinema no mundo inteiro e será transmitido na cadeia HBO Europa, no final do ano.

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