Última hora

Última hora

A importância do voto curdo nas presidenciais da Turquia

Em leitura:

A importância do voto curdo nas presidenciais da Turquia

Tamanho do texto Aa Aa

O voto curdo tem um papel muito importante nas presidenciais turcas, previstas para decorrerem a 10, a primeira volta, e 24 de agosto, se houver segunda volta; esta minoria representa 20% da população turca. No dia 10 de julho, o Parlamento votou uma lei para relançar o processo de paz com os rebeldes curdos. Uma iniciativa do AKP, partido de cariz islâmico e conservador, no poder, e alegadamente apoiado pelo líder do PKK, o curdo Abdulah Ocalan, que terá chegado a acordo em 2012 com Erdogan, o que é motivo de satisfação em Diyarbakir:

- Claro que temos expectativas…há muitos anos, talvez nos estejamos a aproximar de uma solução – confirma um traseunte. Para este primeira eleição por sufrágio universal direto, como se vão posicionar os eleitores curdos?
Até agora, os curdos elegiam quem tivesse a mesma identidade. Nestas eleições também têm um candidato: Selahattin Demirtas, de 41 anos, deputado, que afirma representar 15 milhões de pessoas. As sondagens não lhe dão mais de 10% das intenções de voto.
O diplomata e académico Ekmeleddin Ihsanoglu, com 70 anos, que foi secretário-geral da OCI – organização de cooperação islâmica, reúne o consenso da oposição, que deseja manter o regime parlamentar da histórica república de Ataturk.
Mehmet Emin Aktar, responsável associativo curdo – Se não houvesse um processo de paz em curso, se as pessoas não o discutissem, acredito que Erdogan teria menos votos dos eleitores curdos.
A campanha e a personalidade de Ihsanoglu, a inércia sobre a questão curda e os problemas ligados à atualidade do Médio Oriente não o tornam atrativo para os eleitores curdos. Quero dizer que não haverá muitos votos para Ihsanoglu, creio eu.
Muitos curdos pensam que se o primeiro-ministro Erdogan não for eleito, o processo de paz vai estagnar e regressaremos a uma situação de conflito em que as pessoas vão sofrer mais.
É o que preocupa muita gente que, por isso, apoia Erdogan. O primeiro-ministro utiliza estes receios na campanha eleitoral.”
Mas há uma base eleitoral que não deixará de votar no líder do HDP, Selahattin Demirtaş. Mas, para ele ter hipóteses de se qualificar para a segunda volta, tem de obter o voto dos conservadores curdos, que escolhem tradicionalmente o AKP, no pode. Por esta razão, a campanha eleitoral deste político é muito importante.
Mehmet Emin Aktar – Se ele disser para unirmos os nossos votos enquanto curdos, ele pode recolher votos de base pró-Erdogan. Mas até agora, Demirtas focalizou-se noutros alvos, como os alaouitas e aqueles que estão desiludidos com o candidato do partido popular republicano Ihsanoglu. Será que esta tática pode ter sucesso? Pelos resultados das eleições locais, considero que não. Não acredito que Demirtas obtenha mais votos por esta via.
Na Turquia, os votos dos curdos são repartidos por três regiões: sudeste, Leste e outras regiões de Anatlia. Com 50% dos votos, o AKP é o primeiro partido político nestas regiões. Quando ao HDP, terá 40% dos votos. O partido republicano do povo, o CHP, não tem uma representação importante perante os curdos, que o consideram nacionalista. Neste contexto, os votos dos curdos podem criar alguma surpresa nestas eleições, já por si, inéditas.