Última hora

Última hora

Libertado britânico suspeito de mercado negro no Mundial do Brasil

Em leitura:

Libertado britânico suspeito de mercado negro no Mundial do Brasil

Tamanho do texto Aa Aa

O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil decidiu aceitar o recurso apresentado pela defesa e libertar Raymond Whelan, o britânico que estava detido desde 14 de julho, por suspeita de venda ilegal de bilhetes para os jogos do Mundial do Brasil.

Diretor-executivo da empresa Match Hospitality, que detém o exclusivo da venda de ingressos VIP e pacotes de viagem com bilhetes para os jogos das competições da FIFA, Whelan estava preso no complexo prisional de Bangu, no Rio de Janeiro, depois de se ter entregue às autoridades brasileiras.

Quando o esquema foi descoberto, havia bilhetes a ser vendidos, por exemplo, para os jogos do Brasil a cerca 2,3 mil euros e para a final do Mundial a mais de 11 mil euros.

Os advogados de defesa de Whelan vinham tentando a libertação do britânico junto dos tribunais brasileiros de primeira instância, mas sem êxito. Agora, porém, o juiz Marco Aurélio, do STF, aceitou o recurso do advogado Fernando Fernandes, apreciou o processo e concedeu a chamada “liminar” que autorizou a libertação do suspeito.

Whelan diz-se inocente e refugia-se na interpretação da Match de que, no acordo estabelecido com a FIFA, há abertura para que os bilhetes dos jogos possam ser vendidos a preços mais elevados quando envolvidos em pacotes de viagens.

A polícia civil do Rio de Janeiro, por outro lado, alega ter fortes indícios da participação de Whelan num esquema de venda ilegal de ingressos, sobretudo devido à proximidade do suspeito com Mohammadou Lamine Fofana, o franco-argelino também detido no Brasil sob suspeita de revenda ilegal de bilhetes oficiais que havia conseguido alegadamente da FIFA através de um intermediário na Match Hospitality.

Depois de ter sido detido uma primeira vez, a 7 de julho, ao lado de outros 11 suspeitos, o britânico viria a ser solto dessa vez poucas horas depois mediante pagamento de uma fiança e a entrega do passaporte. Uma semana depois, Whelan entregou-se numa “delegacia” após a polícia o ter procurado no Hotel Copacabana Palace, onde estava hospedado e do qual havia apanhado nas câmaras de vigilância a sair momentos antes da chegada das autoridades, por uma porta de serviço e na companhia do advogado. O que levantou a teoria de uma tentativa de fuga.

De acordo com a investigação em curso no Brasil, Whelan fará parte de uma quadrilha que opera há vários anos em várias competições da FIFA e que já terá ganho só no mercado negro de quatro Mundiais de Futebol mais de 60 milhões de euros.

Após a libertação, os advogados de Ray Whelan vão agora concentrar-se em conseguir o acesso que ainda não tiveram às alegadas provas que incriminam o britânico.