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Relação tensa com Turquia deixa UE muito atenta às eleições

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Relação tensa com Turquia deixa UE muito atenta às eleições

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Até agora, o Presidente da Turquia era eleito pelo Parlamento, mas a 10 de agosto será escolhido, pela primeira vez, diretamente pelos cidadãos.

Cinco por cento dos votos chegam por via dos seis milhões de imigrantes, como os que vivem na “pequena Anatólia”, como é conhecido um quarteirão de Bruxelas, na Bélgica.

A euronews foi ouvir alguns dos seus pontos de vista: “Vou votar em alguém que seja um bom dirigente para o país, que respeite a lei internacional, os direitos humanos e que represente o país de maneira correta ao nível internacional. Essa pessoa é Ekmellettin Ihsanoglu”, disse um dos transeuntes.

“Recep Tayyip Erdogan parece ser o mais forte. Acho que todos vão votar nele”, disse outro. “Vou votar em Demirtas. Parece ser muito boa pessoa e defende a paz”, foi a opinião de um terceiro.

Depois de três mandatos como primeiro-ministro, o conservador islamista Recep Erdogan quer manter-se no poder via Presidência. Enfrenta dois concorrentes, Ekmellettin Ihsanoglu e Selahattin Demirtas, mas as sondagens dão-lhe 50% dos votos.

O analista Steven Blockmans, do Centro de Estudos de Política Europeia, refere que “o debate político na Turquia está a ser exportado para os Estados-membros da União Europeia (UE) onde reside a diáspora, isto é, imigrantes que ainda têm passaporte turco. Como os políticos turcos visitam cidades tais como Bruxelas para defenderem as suas ideias, também se nota uma maior divisão nas comunidades de imigrantes turcos na UE”.

Ihsanoglu, apoiado por dois partidos da oposição, e Demirtas, do partido pró-curdo, vão tentar passar pelo menos à segunda volta.

Já Erdogan pede uma reforma constitucional que dê mais poderes ao Presidente. Se o conseguir, e fizer também um segundo mandato, ficara no controlo do país por mais uma década.

Para analisar o tema em maior profundidade, a correspondente da euronews em Bruxelas, Gulsum Alan, entrevistou Amanda Paul, analista no Centro de Política Europeia.

“Penso que as relações UE/Turquia estão numa fase difícil, o que é bastante trágico. Ao longo dos últimos anos houve uma desaceleração do processo de reformas em geral, mas no ano passado assistimos claramente a grandes retrocessos democráticos no que respeita ao Estado de direito, aos direitos civis e às liberdades na Turquia, incluindo a liberdade de imprensa”, explica a analista.

“Esse cenário é agravado pelo facto do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que está no terceiro mandato, estar cada vez mais obcecado com o poder. Como a UE já não tem qualquer capacidade de influência sobre a Turquia, não pode fazer nada para travar este retrocesso democrático”, acrescenta Amanda Paul.

Gulsum Alan falou também com Alperen Ozdemir, da Associação dos Empresários e Industriais Independentes, em Bruxelas, que visa aumentar a cooperação da Turquia com a UE ao nível dos negócios.

“Entre 2010 e 2013, não foi aberto nenhum capítulo novo, mas consideramos que a presidência italiana da UE poderá acelerar as negociações. Em 2014 celebra-se o ano da UE na Turquia. São tudo aspectos muito positivos”, disse Alperen Ozdemir, que admite uma certa perda de entusiasmo da população turca face à ideia da adesão à UE.

“Contudo, o relatório do serviço de sondagens Eurobarómetro, publicado nos últimos dias, revela que a adesão da Turquia à UE ainda é vista como um processo positivo pela população turca. Além disso, os três candidatos a Presidente defendem a adesão do país à UE”, conclui.