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Rússia contra-ataca Ocidente banindo produtos alimentares

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Rússia contra-ataca Ocidente banindo produtos alimentares

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A retaliação de Moscovo não é na mesma moeda, mas não fica longe porque o setor visado é o dos alimentos, em resposta às sanções ocidentais contra os bancos e as empresas de defesa e de petróleo russas.

O governo de Vladimir Putin decidiu proibir a importação, por um ano, de alimentos da União Europeia (UE) e de outras potências ocidentais; mesmo arriscando a subida da inflação e o esvaziamento de algumas prateleiras nos supermercados.

O nacionalismo fala mais alto na consumidora russa Irina Kashkadova: “Não devemos perder grande coisa.Vamos poder desenvolver mais a nossa agricultura e estabelecer relações comerciais com outros países”.

A Rússia importa quase metade dos alimentos que consome, o que lhe custa 29 mil milhões de euros por ano.

Na lista dos produtos banidos estão alguns dos quais é maior a dependência externa, tais como queijo, vegetais e vários tipos de carne. Mas a lista inclui ainda peixe, leite e frutos.

Além da UE, são visados pelas sanções os Estados Unidos da América, a Austrália, o Canadá e a Noruega.

No caso da UE, o mercado russo representa cerca de 10% das exportações agrícolas, que em 2013 atingiram os 12 mil milhões de euros. Bruxelas vai analisar possíveis medidas de reação.

O economista do banco alemão DZ Bank, Stefan Bielmeier, explica que “alguns países do Sul europeu serão dos mais atingidos, especialmente a Espanha e a Grécia. A Polónia será bastante afetada, bem como alguns países mais pequenos do Leste europeu”.

“Há também a possibilidade dos Estados Unidos serem prejudicados na exportação de carne, mas em geral não prevejo um grande impacto”, acrescenta Stefan Bielmeier.

A Rússia pondera, ainda, proibir as companhias aéreas europeias de sobrevoarem o seu território. Seria a resposta à suspensão de contratos por parte de empresas europeias do setor aeronáutico que deixaram em terra uma companhia russa de baixo custo, a Dobrolet.

Mas o efeito de ricochete poderá ser a perda de centenas de milhões de euros em taxas pagas pelas companhias europeias para usarem as rotas russas.