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Etnia yezidi está em vias de extinção em nome de Alá

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Etnia yezidi está em vias de extinção em nome de Alá

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Milhares de yezidis do Iraque estão a ser mortos em nome de Alá. Milhares deles conseguiram fugir para as áridas montanhas, mas estão ameaçados pela fome, pela sede e sofrem um calor terrível. O alegado Estado Islâmico do Iraque, ocupou Sinjar, bastião dos yezidis, obrigando os 200 mil residentes a fugir. Os mais frágeis, idosos e mulheres grávidas, perderam a vida no caminho.
Uma deputada, Vian Dakhil, tornou-se a imagem da comunidade depois de ter lançado um apelo lancinante durante uma sessão do Parlamento em Bagdade: – Meus irmãos, esqueçamos as querelas políticas, queremos uma solidariedade humanitária. Falo aqui em nome da humanidade. Salvem-nos, salvem-nos. Somos massacrados, exterminados. A nossa religião está a ser riscada do globo. Suplico-vos em nome da humanidade, salvem-nos.
Entre 15 et 30 000 yezidis conseguiram chegar às montanhas. Alguns passam pela Síria, tentando chegar ao Curdistão iaquiano. São raros os que conseguem passar a fronteira turca.
Os cristãos não são a única minoria religiosa a ser perseguida pelo auto-proclamado Estado Islâmico. Odiados pelos islamitas, os yezidi do Iraque estão numa situação de desespero.
São membros de uma religião curda com antigas raízes indo-europeias. A maioria dos seguidores vivia em Mosul, cerca de 750 mil, na região do norte do Iraque. Existem comunidades tradicionais na Transcaucásia, Arménia, Turquia e na Síria, mas estas têm diminuído desde a década de 1990. Muitos emigraram para a Europa, especialmente para a Alemanha, Canadá e Estados Unidos.
Por isso os yezidid são regularmente perseguidos. Em agosto de 2007 foram alvo de vários atentados com viaturas armadilhadas.
Esta perseguição dura desde o século XIII, no século XIX foram vítimas de massacres em massa. A existência dos yezidis, como grupo étnico e religioso está ameaçada, apesar dos seus direitos estarem reconhecidos na Constituição iraquiana e na Constituição do Curdistão Federal. A mobilização e a ajuda internacional recebida por via aérea não são suficientes.