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Robin Williams vai fazer Deus sorrir

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Robin Williams vai fazer Deus sorrir

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Steven Spielberg dizia que Robin Williams era um génio cómico.
O ator americano foi encontrado em casa, morto por asfixia.
Durante quatro décadas, passou da comédia ao drama, registando sucesso atrás de sucesso.
Iniciou a carreira na série televisiva dos anos 70, “Mork and Mindy”, em que desempenhava o papel de extra-terrestre, que lhe deu o primeiro Globo de Ouro. Vestiu a pele de animador de rádio em “Bom Dia Vietname”, de Barry Levinson, o que lhe deu renome mundial. Conquistou o público como brilhante professor no filme culto “Clube dos Poetas Mortos”, de Peter Weir, em 1989. Depois, os registos cómicos, em filmes como “Papá para Sempre”, em 1993, e na série de filmes “À Noite no Museu”.

O “O Bom Rebelde”, de 1997, tornou-se imediatamente num clássico do cinema do fim do século XX e trouxe finalmente a Robin Williams um Óscar: o de melhor ator secundário. Com assinatura de Gus Van Sant, o filme conta a história da relação atribulada entre Will Hunting (que, aliás, dá nome à película em inglês – Good Will Hunting), interpretado por Matt Damon, e Sean Maguire, o psicólogo representado por Williams. Na receção do prémio afirmou, com o humor que o caraterizava:
“Tenho de agradecer ao meu pai, lá em cima, homem que me respondeu, quando lhe disse querer ser ator: maravilhoso, mas aprende outra coisas, soldador, por exemplo, para o caso de não conseguires”.
Desde o anúncio da morte de Robin Williams, cidadãos anónimos, atores e mesmo o presidente Barak Obama, renderam homenagem ao genial ator, à sua gentileza, ao talento de improvisação e de imitação, aos seus atosde solidariedade.
O ator, de 63 anos, sofria de uma depressão grave. Recentemente, falou expontaneamente do passado de drogas e álcool, após uma cura de desintoxicação.
“Foi maravilhoso saber que não estou só, foi essencial. Quando saímos de desintoxicação e que consciencializamos isto, podemos verdadeiramente sair. Questionei como tinha chegado tão baixo?”

Entre os projectos deixados por Robin Williams estão quatro filmes em fase de pós-produção, entre os quais o terceiro de “À Noite no Museu”, que chegará aos cinemas em Dezembro. Para suportar o ritmo de trabalho, confessou ter recaído no álcool.

Com a morte de Robin Williams, Hollywood perdeu o seu capitão.
“As lágrimas do mundo são de uma quantidade constante. Por cada pessoa que começa a chorar, noutro local há alguém que pára. O mesmo se aplica ao riso”. As palavras são de “À Espera de Godot”, a peça de Samuel Beckett que Robin Williams representou, em 1998.