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Erdogan: Sultão ou (apenas) presidente da Turquia?

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Erdogan: Sultão ou (apenas) presidente da Turquia?

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O primeiro presidente eleito por sufrágio universal na Turquia tem grandes planos para o futuro, mas será que irá conseguir levar avante as reformas constitucionais de que necessita para manter as rédeas do poder?

Numa espécie de discurso de despedida perante militantes do AKP, partido que formou há 13 anos, o ainda chefe do governo recordou que sempre considerou que “as eleições presidenciais seriam o tiro de partida para as eleições gerais de 2015”, um sufrágio em que o Partido da Justiça e do Desenvolvimento deve “ter como objetivo, pelo menos, a conquista de uma maioria para aprovar a nova Constituição”.

Mas para reforçar os poderes presidenciais, de forma a ficar com o controlo efetivo do governo, Erdogan necessita da aprovação de uma maioria de dois terços no Parlamento ou de um referendo popular.

O cenário de uma maioria qualificada de 2/3 para alterar a Constituição parece distante, até porque o AKP deve perder algum apoio com a saída de Erdogan e será muito difícil encontrar aliados dispostos a dar mais poderes ao carismático líder conservador islâmico de um país laico por imposição constitucional.

Erdogan toma posse como presidente da Turquia no dia 28 de agosto. Até lá, terá de designar um sucessor no partido e no governo, capaz de conduzir o AKP a um triunfo eleitoral ainda mais expressivo que a atual maioria absoluta de 313 dos 550 lugares do Parlamento.