Última hora

Última hora

O cadastro norte-americano dos conflitos raciais

Em leitura:

O cadastro norte-americano dos conflitos raciais

Tamanho do texto Aa Aa

Os últimos grandes conflitos raciais nos Estados Unidos datam de 2010. Na noite de São Silvestre que encerrou 2009, Oscar Grant, um jovem talhante foi abatido com um tiro nas costas disparado por um policia, que terá confundido a sua arma com o seu taser. O veredicto, dois anos de prisão, foi considerado demasiado brando e confrontos eclodiram. Ficará a imagem de mais um erro crasso da polícia, que custou a vida a um negro…

A história dos Estados Unidos está marcada por confrontos raciais. Em meados dos anos 50, após décadas de segregação racial depois da abolição da escravatura, os negros fazem ouvir a sua voz.

Liderados por Martin Luther King, Malcom X ou ainda Rosa Parks, os movimentos pelos direitos civis e igualdade para os negros caminharam cerca de uma década até à grande Marcha sobre Washington de 1963

As coisas mudaram. Menos de um ano depois, o presidente Lyndon B. Johnson promulga a Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe a discriminação com base em raça, cor, religião, sexo ou origem nacional.
Luther King está presente e poucos meses depois irá receber o prémio Nobel da Paz.

A segregação acabava no papel, mas estava longe de terminar na sociedade.

Malcom X é abatido em 65, Luther King não resiste a um atentado em 68. O final dos anos 60 fica marcado por um pico de violência, que parece ser apaziguado nas décadas seguintes, mas as tensões raciais continuam bem impregnadas na sociedade norte-americana.

A raiva ressurge nos écrans das televisões do mundo inteiro em 1992. Um ano antes, Rodney King é apanhado pela polícia após uma perseguição a alta velocidade. A brutalidade do espancamento correu mundo. Os polícias foram absolvidos, a população revoltou-se: Durante seis dias, Los Angeles viveu um cenário de guerra urbana.

Em 2008, 45 anos após o “I have a dream”, de Luther King, a chegada ao poder de Barack Obama, o primeiro presidente afro-americano dos Estados Unidos, lançou uma nova vaga de esperança junto da comunidade negra.

Mas a realidade da discriminação, dos preconceitos, voltou a bater à porta em 2012.

Trayvon Martin, um jovem de 17 anos, é abatido por um vigilante de bairro. O segurança latino-americano considerou o comportamento de Martin suspeito.

Obama quebrou o silêncio e evocou a possibilidade de um crime racial: “Trayvon Martin poderia ter sido eu, há 35 anos”, num discurso proferido sem aviso prévio onde abordou, pela primeira vez enquanto presidente, o tema do racismo e das relações raciais nos Estados Unidos.

Ferguson recorda-nos que ainda há muito por fazer para acabar de vez com as tensões inter-raciais.