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O embargo russo é fruto da imaginação na Polónia

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O embargo russo é fruto da imaginação na Polónia

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A decisão da Rússia de decretar um embargo a alguns frutos e legumes ocidentais, em resposta às sanções da União Europeia sobre a Ucrânia, parece ter aumentado o apetite dos polacos pelas maçãs nacionais.

O país que é o maior produtor mundial de maçã e que exportou quase 336 milhões de euros deste fruto o ano passado para a Rússia transformou, nas últimas semanas, o produto nacional numa ação de resistência contra Vladimir Putin.

O jornal de negócios polaco “Plus Biznesu” lançou no início do mês uma campanha, intitulada “Faz frente a Putin e come maçãs e bebe cidra” que se tornou viral nas redes sociais sob o hashtag #jedzajablka (come maçãs).

Desde então que várias figuras públicas polacas multiplicam os “selfies” com maçãs e garrafas de cidra de ministros a deputados, passando por apresentadores de televisão.

O ministro da Agricultura polaco, por seu lado, preferiu igualmente relativizar as sanções russas afirmando esperar encontrar novos mercados na China, Japão e Vietname.

Para tentar diminuir o impacto das medidas russas, a União Europeia anunciou há dois dias que vai desbloquear 125 milhões de euros para ajudas aos agricultores europeus afetados pelo embargo. Um valor distante dos 11 mil milhões de euros de produtos agrícolas da UE exportados o ano passado para o país, da carne de porco alemã, aos pêssegos e maçãs franceses, passando pelo tomate espanhol ou a cavala escocesa.

Mas se a Polónia resiste, outros países da UE, como a Bulgária, vêem neste embargo uma oportunidade para escoar os seus produtos. Segundo a imprensa búlgara, vários produtores de tomate do país estariam a preparar-se para vender tomate nacional como produto sérvio ou turco, em acordo com parceiros situados nestes dois países que deverão aumentar a sua exportação para a Rússia.

A Suíça, que não se encontra abrangida pelas sanções de Moscovo, rejeitou ontem fazer transitar produtos europeus pelo seu território, depois de ter recebido alguns pedidos de produtores.

Em Moscovo, as novas medidas parecem agravado o impacto das sanções da UE, quando se regista um aumento generalizado dos preços dos bens alimentares, em virtude do aumento da inflação.

Mas como os agricultores búlgaros, os comerciantes russos poderão ter descoberto uma forma de contornar o embargo. O jornal Novaya Gazeta revela que, nos últimos dias, começam a chegar a várias lojas da cidade de Kursk caixas de camarão com a etiqueta “produzido na Bielorrússia”, alegadamente originárias de países da União Europeia.