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França: Montebourg reitera críticas a Hollande com Valls em contrarrelógio

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França: Montebourg reitera críticas a Hollande com Valls em contrarrelógio

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A semana abriu a pedir a companhia de um casaco em França, mas no que toca a política o clima não para de aquecer. Depois das críticas a François Hollande reveladas no fim de semana, numa entrevista ao jornal Le Monde, o até aqui ministro da Economia voltou esta segunda-feira a reitera-las e, ao mesmo tempo que à imagem do primeiro-ministro também renunciou ao Governo, voltou a assumir de viva voz as críticas ao Presidente gaulês por ter trocado as políticas de incentivo económico pelas de austeridade sem contudo alcançar, considerou, os resultados esperados.

“O mundo inteiro coloca-nos, hoje, sob pressão. Suplicam-nos para pararmos com as políticas de austeridade absurdas que continuam a empurrar a zona euro para a recessão e dentro em pouco para a deflação. É, por isso, necessário ter a coragem política e intelectual para dizermos que a austeridade agrava os défices. Exatamente onde os deveria reduzir”, defendeu Arnaud Montebourg, que, ao jornal, havia considerado “a redução forçada dos défices” como
“uma aberração económica porque agrava o desemprego”; “um absurdo financeiro porque impossibilita a recuperação das contas públicas”; “e um desastre político porque atira os europeus para os braços dos partidos extremistas que querem destruir a Europa.”

O ministro da Economia também apelou, na referida entrevista, a uma “subida de tom” contra a Alemanha, por esta estar “presa na armadilha da política de austeridade que impôs a toda a Europa.”

Na resposta, ainda no domingo, Manuel Valls, o primeiro-ministro, considerou que Montebourg “ultrapassou uma linha amarela”, considerando que “um ministro da Economia não pode exprimir-se nestes termos sobre a linha económica do governo e sobre um parceiro europeu como a Alemanha.”

Esta segunda-feira de manhã, a “rentrée” política começou a ferver com o anúncio da demissão de Manuel Valls, apresentada a François Hollande. O Presidente, contudo, de imediato reiterou a confiança no chefe de Governo e o incumbiu de reformular o governo em 24 horas com “uma equipa coerente com as orientações” que o próprio chefe de Estado lhe transmitiu.

O objetivo do Eliseu é manter em curso o pacto de responsabilidade de aligeirar as contribuições patronais na ordem dos 30 mil milhões de euros até 2016 e reduzir os impostos sobre as empresas em mais de 10 mil milhões de euros até 2017. O executivo promete ainda 5 mil milhões de euros em medidas fiscais e de segurança social para os mais necessitados. O que poderá levar, de acordo com as estimativas, a poupanças na despesa na ordem dos 50 mil milhões de euros nos próximos três anos. Mas uma crise política paira no ar em França e todos estes planos de Holande podem estar em risco.