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Dissonância sobre a austeridade dissolve Governo francês

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Dissonância sobre a austeridade dissolve Governo francês

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A dissonância sobre a austeridade em França sofreu uma reviravolta com a dissolução do Governo e a expulsão de dois ministros rebeldes da ala esquerda do Executivo. O ministro da Educação Benoit Hamon e o ministro da Economia Arnaud Montebourg criticaram a orientação económica do país.

“As políticas de austeridade, a subida de impostos ou a redução excessiva das despesas públicas, decididas pelo Governo são hoje a causa do prolongamento e do agravamento inútil da crise económica. Portanto, são um absurdo financeiro, porque ao fazerem cair o crescimento, elas impedem, pela queda da atividade, a realização dos seus próprios objetivos”, afirmou Montebourg na passada segunda-feira.

Este setor mais à esquerda criticava não só o Governo francês, mas também o aliado alemão. Mas as convicções de Montebourg são próximas das que Hollande, enquanto candidato às presidenciais, defendia há dois anos: “A nossa Europa pode ser a alavanca e a solução, a não ser que se auto condene à austeridade, que foi o caminho escolhido pelo atual presidente com a chanceler alemã Angela Merkel”.

A Alemanha não quer mudar de orientação e a França não conseguirá atingir o défice de 3% até 2015. Em abril, o primeiro-ministro apresentou um plano de 50 mil milhões para reduzir o défice estrutural.

François Hollande continua a defender uma voz alternativa, com os poucos aliados que lhe restam na Europa, como Mateo Renzi.

“A estabilidade na Europa depende de dois países: um é a Alemanha e outro é a França. A Alemanha está sempre em foco, mas a França é igualmente importante, porque a construção do Euro assenta basicamente neste duo e na estabilidade e na força dos dois países. Se a França fraquejar e se tornar mais instável, isso será catastrófico para toda a Europa”, afirma Jan Techau, diretor do Carnegie Europe.

Recusando comentar a queda do Governo francês e os ataques de Montebourg, Angela Merkel e Mariano Rajoy defenderam a uma só voz a austeridade e mostraram-se confiantes de que Manuel Valls vai respeitar os compromissos europeus.