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Afeganistão: Auditoria às eleições presidenciais suspensa sem resultados

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Afeganistão: Auditoria às eleições presidenciais suspensa sem resultados

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Abdullah Abdullah, um dos candidatos na corrida à presidência do Afeganistão, decidiu esta quarta-feira de manhã, de forma unilateral, retirar os respetivos observadores da auditoria à segunda volta das eleições, por entender que o processo não está a ser correto e, mais do que isso, “uma piada”. Foi o concretizar da ameaça deixada logo de véspera caso não fossem respeitadas certas exigências face às suspeitas de fraude eleitoral.


De seguida, Ashraf Ghani, o outro candidato e que tem vindo a ser apontado como o vencedor, decidiu também retirar os observadores para evitar acusações de parcialidade. O processo mediado pelos Estados Unidos – nomeadamente pelo secretário de Estado, John Kerry – foi, contudo, mesmo interrompido.

As ultimas notícias dão conta que as conversações entre as partes mantém-se, sob mediação das Nações Unidas, mas sem acordo o processo de recontagem dos oito milhões de boletins de voto da segunda volta das eleições não avançará. A auditoria ao escrutínio está a ser conduzida pela ONU e pela Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão.


Em abril, na primeira volta das presidenciais afegãs, Abdullah Abdullah venceu, com 45 por cento dos votos contra 31,6 de Ghani. Com os restantes candidatos eliminados, mas sem nenhum conseguir metade do eleitorado, os dois passaram à segunda volta.

Em junho, Ashraf Ghani era apontado pelas projeções como vencedor com 56,4 por cento dos votos e começou a ser apontado à sucessão de Hamid Karzai como novo Presidente do Afeganistão. Abdullah Abdullah levantou, contudo, suspeitas de uma fraude de “dimensão industrial” e chegou a autoproclamar-se vencedor das eleições após a publicação dos primeiros resultados oficiais.

As suspeitas em torno dos presidenciais cresceram e motivaram a intervenção do secretário de Estado norte-americano. John Kerry advertiu no início de julho que a legitimidade das eleições – as primeiras inteiramente democráticas no país – estava em causa. A 12 de julho, os dois candidatos, perante a satisfação da comunidade internacional e em especial da União Europeia, acordaram uma auditoria mediada pela ONU ao escrutínio da segunda volta das presidenciais.


O ainda Presidente em exercício tem tentado, sem grande êxito, aproximar as duas partes num consenso e avisou que a tomada de posse do seu sucessor está marcada para terça-feira, 2 de setembro. O impasse e a crise instalada ameaçam o progresso do Afeganistão, num ano que deverá terminar já sem a presença militar americana e da NATO na região, o que poderá abrir espaço para o agravar da violência que ainda se faz sentir no país de liderança instável.


No entanto, suspeitas de fraude eleitoral levantadas por Abdullah Abdullah motivaram, em julho, a auditoria que foi agora suspensa. “Temporariamente”, garantiu um elemento da ONU envolvido no processo.