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França: Novo Governo já trabalha e recuperar a economia é o desafio

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França: Novo Governo já trabalha e recuperar a economia é o desafio

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O 38.° Governo da V República francesa cumpriu esta quarta-feira o primeiro dia de trabalho. De manhã, no Palácio do Eliseu, decorreu o Conselho de Ministros com a nova equipa do reconduzido Manuel Valls. Sobre a mesa, o retomar da afinação da estratégia com vista à aplicação das reformas preconizadas por François Hollande para relançar a economia francesa nos próximos três anos.


O foco deste novo executivo, o segundo em cinco meses com Manuel Valls como primeiro-ministro, está sobre Emanuel Macron, de 36 anos. O antigo banqueiro e conhecido protegido de Hollande sucedeu na pasta da Economia a Arnaud Montebourg, o “rebelde” que esteve na base da tempestade política que se abateu sobre Paris nos últimos dias ao criticar de forma aberta a insistência do Governo nas políticas de austeridade e a falta de resultados da mesma.

Macron, por seu turno, mais do que garantir fidelidade ao Presidente, promete trabalho. “Podemos decidir todos os dias escutar as notícias negativas que dizem que a França está perdida. Mas continuamos a ser uma potência industrial e económica. Estamos numa situação difícil, não o devemos negar. Mas temos de lutar. Não pode é ser, contudo, uma luta contra uma parte da nossa própria equipa. Nem contra um segmento do povo francês. E tem de ser com toda a nossa energia.”

A entrada de Macron representa, assim e da melhor forma, a exigência feita segunda-feira por Hollande a Manuel Valls, quando, após este ter pedido a demissão, lhe deu novo voto de confiança e lhe pediu para formar uma equipa mais coerente com a atual linha política seguida em França.

Entre os franceses, descobrimos esperança no novo ministro da Economia. Um homem e uma mulher interpelados em Carquefou, próximo de Nantes, abstraíram-se das ligações próximas de Macron a Hollande e elogiaram a nova estrela do executivo.

“Pode ser bom termos alguém da banca como ministro da Economia. É muito bom para as empresas e para as finanças ter alguém que já esteve, de facto, numa empresa”, afirmou o homem. A mulher, por outro lado, deixou um apelo: “Espero que ele nos saiba mostrar o que podemos fazer e que nos ajude a sair disto.”

Atacar o desemprego, que atinge cerca de 10 por cento dos franceses – foi declarado pelo Governo como uma “causa nacional”. As previsões de crescimento zero na economia francesa também não ajudam. Hollande não quer, por isso, mais obstáculos imprevistos às reformas anunciadas e exigiu à nova equipa, que mantém a paridade de oito homens e oito mulheres, consensualidade face às reformas que pretende implementar até 2017.