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Itália pede à União Europeia mais apoio face à migração ilegal

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Itália pede à União Europeia mais apoio face à migração ilegal

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A Itália não está a conseguir dar conta do recado no que toca ao agravamento da imigração ilegal oriunda, através do Mediterrâneo, do norte de Áfrfica e do Médio Oriente. Por isso, os italianos apelam por um maior apoio da União Europeia (UE) e pela colaboração dos outros Estados membros.


São cada vez mais as pessoas em fuga de zonas de conflito no norte de África ou do Médio Oriente, que arriscam meter-se até em frágeis embarcações sobrelotadas em busca de uma vida segura e melhor na Europa. Muitos acabam por chegar à costa italiana já em sacos plásticos, numa tragédia cujos números não param de subir.


Só nos últimos quatro dias, mais de 1900 pessoas foram socorridas pela Marinha italiana quando tentavam passara do norte de África para a costa italiana. De acordo com a Agência das Naçoes unidas para os Refugiados (ACNUR), só na primeira metade de 2014, mais de 75 mil pessoas, incluindo 190 mil crianças, tentaram cruzar o Atlântico rumo à Itália e pelo menos 800 morreram nessa tentativa – são números superiores aos registados em todo o ano passado e aos quais não serão alheios, sobretudo, o agravamento dos conflitos armados na Faixa de Gaza, na Síria, no Iraque ou na Líbia. Mas agora também com o surto de ébola a colocar muita gente em fuga do centro de África, o que também aumenta, teoricamente, os riscos de propagação do virús.


Por tudo isto e após um naufrágio em outubro passado, no qual morreram 366 pessoas, foi criada a operação Mare Nostrum para vigiar as águas italianas e localizar os barcos que são utilizados para mover estas pessoas rumo à Europa, muitas vezes em condições deploráveis. Desde o arranque desta operação, a Itália já terá socorrido 109 mil migrantes. Mas a Mare Nostrum tem um custo a rondar os 9 milhões de euros mensais e, em tempos de recessão económica, os italianos querem este custo repartido ou pelo m,enos partilhar os esforços da operação de vigilância do Mediterrâneo.


Para isso, o ministro italiano do Interior, Angelino Alfano, deslocou-se a Bruxelas para fazer um apelo: “O que pedimos foi a contribuição dos outros Estados membros para que participem, por exemplo, através de navios e helicópteros, de forma a dar maior abrangência à operação Frontex Plus.”


E o que e o Frontex Plux? Será a operação que a partir de novembro vai substituir, em moldes um pouco diferentes, a atual Mare Nostrum, como explicou a Comissária Europeia para os Assuntos Internos. “A operação Frontex Plus vai substituir e dar continuidade à Mare Nostrum, mesmo que não venha a ter a mesma amplitude. A Mare Nostrum tem sido muito ambiciosa, mas nós não sabemos se vamos conseguir os meios para fazermos exatamente o que a Itália tem vindo a fazer”, disse a sueca Cecilia Malmström.

A acompanhar a reunião entre Alfano e Malmström, em Bruxelas, esteve a enviada especial da euronews Margherita Sforza: “A questão fundamental a resolver será, assim, como encontrar os recursos financeiros suplementares [para a operação]. A Itália e a Comissão Europeia debatem-se contra o aumento do orçamento da operação em 2015.”

Enquanto o assunto é discutido nos gabinetes, ao mais alto nível, ao mar continuam a lançar-se barcos carregados de migrantes que procuram uma vida melhor do que a que têm nos países de origem. Entre eles, muitas crianças e até bebés. Na noite de segunda-feira, por exemplo, chegou ao porto de Calábria um novo grupo de mais de 1300 migrantes, incluindo mulheres e crianças, a bordo de um navio da marinha italiana. Foi mais uma missão das muitas que continuam a salvar vidas, milhares de vidas, a pessoas que arriscam tudo pelo sonho de um melhor futuro.