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Gaza: duas vitórias e a mesma derrota

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Gaza: duas vitórias e a mesma derrota

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Israel e Hamas clamam vitória após cinquenta dias de guerra em Gaza terem provocado mais de 2.100 mortos e quando o cessar-fogo de terça-feira está longe de superar as divisões entre os dois campos.

O Hamas organizou esta quarta-feira uma “parada da vitória” na cidade de Gaza, com os principais líderes do movimento a surgirem em público pela primeira vez desde o início do conflito, para elogiarem a resistência da população contra as “forças de ocupação”.

“Durante estes 51 dias de guerra, as brigadas Al-Qassam e a resistência predominaram. Começaram a guerra com o lançamento de roquetes sobre Haifa e terminaram a guerra com um ataque sobre Haifa”, afirmou Ismail Haniyeh.

Mas, apesar do discurso triunfal e quando as discussões de paz deverão ser relançadas dentro de um mês, o Hamas não conseguiu nenhum dos seus objetivos, como o levantamento do bloqueio israelita, a libertação de prisioneiros ou a abertura do porto e aeroporto de Gaza.

Do lado israelita, o primeiro-ministro Benjamin Nethanyahu celebrou também o que considerou ser, um “êxito político e militar”, deixando um aviso, “se os ataques recomeçarem, não vamos tolerar nenhuma ação em nenhuma parte de Israel e vamos agir de forma ainda mais vigorosa”.

Mas, tanto os setenta mortos do lado israelita face às mais de duas mil vítimas palestinianas, como a incerteza sobre o objetivo da operação de obter uma paz duradoura, estão a minar a popularidade do primeiro-ministro que caiu para mais de metade nas sondagens (de 82% em julho a 38% na segunda-feira) desde o início da intervenção militar.