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Ucrânia: Balanço de mortos do conflito já ascende quase aos 3 mil

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Ucrânia: Balanço de mortos do conflito já ascende quase aos 3 mil

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Pelo menos 36 pessoas morreram por dia no leste da Ucrânia, entre 16 de julho e 17 de agosto, avança um novo relatório do Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos. Estes dados ajudam a explicar o agravamento do número de vítimas mortais do conflito entre o exército ucraniano e os rebeldes separatistas pró-russos, que, desde abril até 27 de agosto, já chega quase aos 3 mil.


O relatório – publicado esta sexta-feira – fixa o número de mortos no conflito ucraniano nos 2593, sem distinção entre civis, soldados e rebeldes armados – das baixas destes últimos, aliás, existe escassez de informação. Ao número avançado, há ainda a acrescentar as 298 pessoas que seguiam a bordo do voo comercial MH17, que ligava Amesterdão a Kuala Lumpur e que foi alegadamente atingido por um míssil quando sobrevoava o leste da Ucrânia a 17 de julho, despenhando-se sem deixar sobreviventes.

O total dá 2891 mortos. O número de feridos ultrapassa os 6 mil e os deslocados, a 20 de agosto, eram cerca de 190 mil.

Relatório sobre a Ucrânia divulgado pelo Gabinete do Alto Comissário da ONU para os Direiros Humanos

Estes dados são divulgados quando se intensificam os esforços diplomáticos internacionais para travar o conflito no leste da Ucrânia, que tem vindo a agravar-se com a cada vez maior pressão do exército sobre os rebeldes e a resistência destes, com recurso – de acordo com a Aliança Atlântica – a artilharia sofisticada e militares russos.


Com o Kremlin a nega-lo, a NATO garante que mais de mil soldados russos estarão a lutar ao lado dos rebeldes ucranianos. Os separatistas já o assumiram, mas garantem que os militares russos o fazem como voluntários e não a mando de Moscovo.

Os últimos dias foram de intensos combates em pleno centro da cidade de Donestk, capital da região homónima do leste ucraniano reclamada pela autoproclamada República Popular de Donestk, que se declarou independente a 7 de abril. As ruas da cidade foram transformadas num autêntico campo de batalha, com bombardeamentos e tiroteios constantes entre grupos armados. Pelo menos 15 civis terão morrido vitimas do fogo cruzado.


Os separatistas pró-russos estarão, entretanto, em movimento pela costa da Ucrânia rumo à Crimeia, alargando a frente de batalha numa estratégia que parece indiciar o objetivo de controlar a faixa costeira do mar de Azov, entre Donetsk e a região autómona anexada em março pela Rússia, incluindo o importante porto de Mariupol, no sudeste ucraniano.

Pelo caminho, em Illovaisk, a cerca de 40 quilómetros de Donetsk, alguns soldados ucranianos estarão cercados por rebeldes pró-russos já há cerca de uma semana. Em Mariupol, por fim, perante o iminente ataque dos separatistas, está a instalar-se o caos entre os habitantes. Muitos ucranianos já fugiram da cidade, que é vista como um importante ponto estratégico neste conflito.


Apesar destes receios, há quem resista à fuga e esteja inclusive a ajudar o exército a cavar trincheiras para defender a cidade. Esta quinta-feira, realizou-se mesmo, em Mariupol, uma manifestação contra a guerra e pela soberania da Ucrânia. A alegada presença russa no país foi também um dos alvos dos protestos. “Glória para a Ucrânia, glória aos nossos heróis”, foi uma das expressões patrióticas mais escutadas nesta manifestação.