Última hora

Última hora

O sucesso do grupo de rock iraniano Kiosk

Em leitura:

O sucesso do grupo de rock iraniano Kiosk

Tamanho do texto Aa Aa

O grupo de rock iraniano Kiosk iniciou uma digressão pela Europa.

A formação data dos anos 90 mas teve de esperar até 2005 para lançar o primeiro álbum.

O nome da banda faz referência aos locais onde o grupo se reunia inicialmente para escapar à censura do regime.

A euronews falou com Arash Sobhani, fundador dos Kiosk.

“Inicialmente, não tínhamos planos para o futuro, nem planeávamos lançar um álbum.
Era um projeto de um grupo de amigos, nessa altura não queríamos sair do país. Além disso, eu sabia que não nos deixariam fazer um álbum como nós queríamos, por isso gravávamos para nos divertirmos. Mas não estávamos à espera de nada. Nessa altura não havia forma de distribuir o álbum tanto mais que eu pessoalmente não queria lançá-lo”, explicou o músico.

As canções do grupo misturam crítica política e humor. Uma escolha com um custo elevado. O grupo foi obrigado a tocar em caves e em esconderijos até deixar o Irão e partir para o Canadá e os Estados Unidos.

“Não sei se somos mais ou menos influenciados pela sociedade iraniana quando comparamos o primeiro disco aos trabalhos seguintes. O disco “Adama mamoli” inspira-se bastante na sociedade iraniana mas no último álbum há um regresso ao rock. A meu ver continuamos a receber inspiração da realidade iraniana”, afirmou o músico.

O sucesso dos Kiosk tem inspirado muitos jovens iranianos, desejosos de criar grupos de música. Enquanto pioneiros, os Kiosk conhecem os obstáculos que podem surgir no caminho.

“A música underground não é permitida no Irão. Por isso tudo se passa nas caves. Não há concertos, por isso não é rentável. Não tem o apoio do governo. Os kiosk eram um grupo underground mas agora já não somos underground, somos um grupo independente”, disse o músico.

Hoje, graças à Internet, um grupo iraniano pode comunicar sem pedir autorização ao governo, mas, nos primeiros 15 anos da Revolução de 1979, as pessoas viveram amordaçadas.

“Quando começámos a trabalhar, houve uma revolução no domínio das comunicações, o que nos deu a oportunidade de mostrar o nosso trabalho. Mas há quinze ou vinte anos não havia itunes nem internet. Agora a Internet é uma ajuda para os grupos independentes. Quando começámos havia a possibilidade de ir longe mas muitos grupos antes de nós que tocavam bem não são conhecidos”, disse o músico.

Em setembro, os Kiosk tocam em Londres, Paris, Berlim e Amesterdão. No final do mês, têm um concerto previsto em Nova Iorque.