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BCE: A nova bazuca de Mario Draghi

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BCE: A nova bazuca de Mario Draghi

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Para grandes problemas, grandes anúncios. Foi o que fez o Banco Central Europeu (BCE).

A instituição surpreendeu com um corte das taxas de juro para mínimos históricos e anuncia um programa de compra de títulos garantidos por hipotecas e ativos, a partir de outubro.

A decisão não foi unânime, como revelou Mario Draghi, após a reunião do Conselho de Governadores.

O objetivo é fazer face à desaceleração económica e fomentar a concessão de crédito às famílias e empresas.

O presidente do BCE acrescentou: “As decisões de hoje, em conjunto com as outras em vigor, foram tomadas para sustentar a ancoragem firme das expectativas de inflação a médio e longo prazo em linha com o objetivo de manter a taxa de inflação abaixo, mas próximo, de 2%. Se for necessário, face ao risco de um período prolongado de baixa inflação, o Conselho de Governadores é unânime no seu compromisso de usar mais medidas não convencionais no quadro do seu mandato”.

O BCE cortou a taxa diretora em dez pontos base para 0,05%. É atualmente uma das taxas mais baixas do mundo.

A Reserva Federal mantém a taxa entre 0 e 0,25% desde 2008. A do Banco Central do Japão está nos 0,3% e a do Banco de Inglaterra é de 0,5%.

Rui Bárbara, economista e gestor de ativos do Banco Carregosa, diz-se surpreendido com o corte das taxas. Sobre o programa de compra de dívida privada explica: “A parte não convencional, basicamente, resume-se ao Banco Central Europeu permitir aos bancos normais, os de retalho, de toda a zona euro venderem ativos chamados ABS, “asset-backed securities”, que são no fundo titularizações de empréstimos”.

Interrogado sobre eventuais riscos de o programa recriar a crise de 2008, Rui Bárbara defende: “Estamos muito longe de termos bolhas imobiliárias na Europa. Neste caso estamos justamente no contrário, não existe concessão de crédito”.

O BCE quer relançar a economia da zona euro, que estagnou no segundo trimestre, enquanto os riscos geopolíticos se farão sentir ainda mais nos próximos meses. Junto com os índices de confiança, em agosto, registou-se nova queda da inflação para 0,3%.

Os dados levaram o BCE a baixar as previsões para o crescimento e a inflação este ano. O receio geral é que a zona euro mergulhe numa espiral de queda de preços e salários.

Com a compra de dívida privada e um novo corte nas taxas, incluindo a de depósito para -0,2%, objetivo é levar os bancos a financiar a economia e, assim, relançar a retoma e a inflação.

Para isso deverão também contribuir as operações de refinanciamento dos bancos, através de empréstimos do BCE a taxas baixas, que começam em setembro.