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O impacto do referendo escocês no mercado petrolífero

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O impacto do referendo escocês no mercado petrolífero

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Ser ou não ser parte integrante do Reino Unido – eis a questão que vai levar os escoceses às urnas, na próxima quinta-feira. Uma das maiores incertezas diz respeito à continuação do uso da libra esterlina naquele território. A eventual saída da Escócia está a gerar um outro debate entre os países do Golfo Pérsico: quais serão as repercussões sobre os preços do petróleo?

As intervenções que o primeiro-ministro britânico David Cameron tem dirigido aos escoceses assumiram a forma de uma súplica sob o argumento de manter “uma família de nações”. Os defensores do “sim” consideram a independência o caminho natural a seguir, antevendo o florescimento económico da Escócia sem as amarras de Londres.

Uma das grandes questões reside no futuro controlo das explorações petrolíferas no Mar do Norte. Os independentistas vêem esse setor como o pilar da economia local após o afastamento. O tema é dos mais controversos. Tudo isto pode provocar um impacto sobre o valor do crude e, em consequência, atingir as economias dos países do Golfo.

Outra incerteza é a moeda em si. Se ganhar o “sim”, a libra continuará a ser utilizada naquele território? A organização do referendo escocês causou oscilações pronunciadas nesta divisa, em benefício de outras, nomeadamente no Médio Oriente. Em agosto, o rial saudita subiu quase 4,5% em relação à libra, o mesmo valor registado pelo dirham dos Emirados Árabes Unidos.

Para nos trazer mais explicações sobre esta questão, a jornalista da euronews Daleen Hassan falou com Noureldeen Al Hammoury, analista da ADS Securities.

euronews: Esta é uma semana histórica para a Escócia. Como vão reagir os mercados e quais são as expetativas em torno da libra esterlina?

Noureldeen Al Hammoury: Os mercados estarão muito suscetíveis aos resultados das sondagens nos dias que antecedem o referendo. Recentemente, vimos a libra esterlina a estabilizar-se no valor de 1 dólar e 62, face às estimativas contraditórias que foram surgindo. Na sexta-feira, as coisas vão mudar. Se os escoceses votarem no “sim”, a libra poderá cair da fasquia dos 1,60, talvez para os 1,58. Se a Escócia decidir ficar no Reino Unido, a libra vai ressentir-se positivamente a curto e médio prazo, uma vez que os mercados vão seguir as taxas definidas pelo Banco de Inglaterra, e a moeda pode registar uma recuperação que atinja novamente os 1,65.

euronews: Quais são as consequências que este referendo pode provocar nas divisas do Médio Oriente?

NAH: Os resultados serão anunciados na sexta-feira às seis da manhã, hora de Londres, às nove, hora de Abu Dhabi, o que significa que os corretores do Médio Oriente vão ser os primeiros a negociar com a libra depois de ser conhecido o desfecho. Na Europa, as sessões vão arrancar algumas horas após o anúncio, quando os mercados asiáticos já estarão encerrados. Daí que estejamos a antever uma liquidez significativa nos mercados do Médio Oriente assim que saírem os resultados.

euronews: Se a independência avançar, o que vai acontecer aos preços do petróleo?

NAH: Há dois cenários possíveis. Se a Escócia decidir ficar no Reino Unido, os efeitos serão negativos porque os mercados vão voltar a concentrar-se no panorama económico global, que tem assinalado um abrandamento. Mesmo que a Escócia decida pela independência, o impacto sobre os preços será positivo, mas só a curto prazo, porque uma vez mais o panorama global continua a impor-se nos próximos meses. No entanto, se os preços continuarem a cair, sobretudo se a região do Golfo for bastante afetada, poderemos assistir a uma intervenção da OPEC.