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Hungria aperta o cerco a ONG's subsidiadas pelo estrangeiro

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Hungria aperta o cerco a ONG's subsidiadas pelo estrangeiro

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As recentes medidas do governo húngaro sobre as organizações não governamentais estão a causar grande preocupação a nível europeu.
Nos últimos meses, a polícia investigou duas vezes a sede de uma fundação subsidiada pelo governo norueguês. O resultado é que a Hungria corre agora o risco de perder as ajudas de Oslo, que considerou inaceitáveis as operações policiais.
O governo húngaro acusa as ONG’s de apoiar os movimentos políticos da oposição. A ONG interpelada tinha apresentado todas as contas exigidas, mas nada demoveu as autoridades policiais.
Veronika Móra, presidente da Fundação Ökotárs – A operação policial foi desproporcionada e desnecessária. Os agentes chegaram sem aviso prévio e decidiram apropriar-se de muitos documentos. Se os tivessem pedido, nós tínhamos dado sem qualquer problema.
A “Transparência” também se encontra na lista de “ONG’s suspeitas” do governo húngaro. E se é verdade que a organização critica a falta de transparência do executivo, outras associações e gabinetes de partidos políticos são postos em causa pelo Estado. Para a organização é evidente que, com as novas medidas, o governo quer cortar o financiamento internacional das ONG’s independentes.
József Martin, secretário-geral da Transparência Internacional na Hungria – Esta investigação baseia-se em motivos políticos. No princípio nomearam uma série de ONG’s que, segundo eles, estariam contra o governo, e depois lançaram-nos as perseguições policiais.
O governo defende-se das acusações com a justificação de ser responsável pelo paradeiro do dinheiro. O porta-voz do governo húngaro garante que se tentou falar com o governo norueguês para tratar do problema, mas, perante a falta de resposta, a investigação foi lançada.
Zoltán Kovács – É muito fácil montar uma teoria da conspiração, principalmente se quiserem usar esta história para fins políticos. Mas só uma reduzida esfera da vida civil é suspeita, e alguns admitiram não usar o dinheiro para fins declarados. Em nenhum caso é uma represália contra as organizações não governamentais na Hungria.
Esta ponto de vista é completamente oposto ao da ministra norueguesa dos Assuntos Europeus que considera que a repressão “demonstra que o governo húngaro quer deter as atividades das ONG’s que são críticas em relação às autoridades”. Para Vidar Halgesen, é óbvio que o governo húngaro não respeita os valores europeus relativos à democracia”.
Tove Skarstein, embaixador da Noruega em Budapeste – Os fundos das ONGs não procedem dos cofres públicos húngaros, é dinheiro público norueguês. Não é parte dos investimentos húngaros nem do orçamentpo. Chega diretamente de Bruxelas, da secretaria de doações de Bruxelas.
Muitos húngaros foram para as ruas em protesto contra a atitude do governo contra as organizações não governamentais. Mas a preocupação já ultrapassou as fronteiras húngaras.
Num tweet, o presidente do Parlamento Europeu qualificou os assaltos às ONG’s na Hungria de “profundamente preocupantes” e concluiu que “as vozes dissonantes mantêm a sociedade viva, enquanto a opressão tem o efeito inverso”.
euronews, Andrea Hajagos:
“A maioria das ONG’s com fundos noruegueses não serão afetadas, como esta, que treina cães guias. Mas há muitas que receiam que a situação se degenere. Acreditam que a sua vez vai chegar, se a situação não melhorar rapidamente.”