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O concurso de Placido Domingo que abre a porta à elite da ópera

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O concurso de Placido Domingo que abre a porta à elite da ópera

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A soprano americana Amanda Woodbury ficou em segundo lugar no Operalia, o concurso para jovens cantores de ópera que todos os anos se organiza numa das capitais mundiais da música. Este ano, teve lugar em Los Angeles, onde o criador do evento, Placido Domingo, dirige a ópera. Das centenas de participantes que tentam a sua sorte, pouco mais de uma dezena consegue chegar às finais. Uma etapa que já é considerada uma vitória, um auspicioso começo de uma carreira internacional.

“Não me preocupa que a vitória não esteja ao alcance de todos, não pode ganhar toda a gente. Mas o júri é composto por diretores dos maiores teatros do mundo. Alguns dos cantores que não venceram vieram dizer-me que conseguiram três contratos numa só noite. Ninguém é deixado de lado”, assegura o mítico tenor espanhol.

Entre os membros do júri, encontramos a mulher de Placido, Marta, uma prestigiada encenadora, que afirma: “A vencedora entre as mulheres é fantástica. Tem uma grande carreira pela frente. Pode cantar Wagner, como Verdi. E, acima de tudo, é admirável que uma não hispânica possa cantar a zarzuela como ela o fez. Quanto a Mario, tem uma voz maravilhosa. É um autêntico tenor, simpático e tudo.”

Mario Chang, o cantor que conquistou a competição masculina, revela que “foi muito difícil chegar até aqui. Primeiro, tivemos de sair da Guatemala. Há ópera no país, mas não há uma instituição dedicada a isso. Eu e a minha mulher fizemos a promessa de dar, todos os anos, um concerto gratuito na catedral da Cidade da Guatemala, aberto a toda a gente. Gostaria de me tornar num impulsionador da ópera na Guatemala.”

Rachel Wills-Sorensen, a vencedora do lado feminino, não esconde a incredulidade, nem o sentido de humor: “O maestro Domingo disse-me que eu podia dar mais liberdade em algumas passagens, que ele depois acompanhava-me… Já imaginaram? O Placido Domingo a dizer que me acompanha a mim? É um sonho, tem de ser um sonho! Mas a verdade é que aconteceu. A peça de Wagner que cantei, “Dich, teure Halle”, é a minha preferida. Tem a reputação de ser muito difícil, mas é a ária mais fácil do meu repertório… É segredo, não digam a ninguém!”