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Crédito malparado: A bomba pronta a explodir no sul da Europa

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Crédito malparado: A bomba pronta a explodir no sul da Europa

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O crédito malparado ou de cobrança duvidosa é uma bomba que ameaça as economias do sul da Europa.

Na Grécia, o crédito malparado atingiu 33,5% no primeiro trimestre. E dezenas de milhares de pessoas correm o risco de perder a casa em dezembro, quando expira a lei de proteção contra expulsões da habitação principal.

Elini Likoudi é uma delas. Com créditos para o negócio e para consumo deve 400 mil euros. O negócio faliu e a pensão foi reduzida. Hoje afirma: “Tenho medo de perder a minha casa. Já não sei o que mais posso fazer. Preciso de advogados, da justiça. Não tenho nada que me dê esperança. A única coisa que posso fazer é esperar que, a um dado momento, me atirem para a rua…mais nada. Gostaria de ter ajuda”.

Após seis anos de recessão e muita austeridade, a Grécia tem o desemprego mais elevado da Europa e os rendimentos caíram cerca de 30%.

A jornalista Symela Touchtidou, recorda: “Nos dois últimos anos, a sociedade grega passou de uma sociedade de devedores para uma sociedade de proprietários endividados. Segundo os últimos dados oficiais, o crédito malparado atingiu 77 mil milhões de euros, mas as pessoas que conhecem bem o problema acreditam que os números poderão subir ainda mais”.

A situação é grave também em Itália, onde o crédito malparado de famílias e empresas superou 172 mil milhões de euros em julho.

E em Espanha, os créditos em risco ou em dívida superam 184 mil milhões de euros. Em Portugal, atingiram, em julho, o valor recorde de mais de 12 mil milhões de euros.

Semelhante em todos os países, é perfil das pessoas em dificuldade, como explica Eleni Charalabidou, consultora legal de um sindicato grego: “O perfil corresponde a membros de classe média, quer da alta como da baixa, inclui pessoas que perderam os empregos, pessoas que viram os rendimentos caírem para um nível inferior aos compromissos de crédito. Agora temos empresários. É a maior explosão de sempre da classe média”.

Face ao problema, a Grécia tenta formar uma aliança europeia e está prevista uma reunião sobre o assunto.

O Ministro grego do Desenvolvimento, Nikos Dendias, afirma: “Propomos usar fundos estruturais para subsidiar o pagamento dos juros do crédito de cobrança duvidosa no sul da Europa. Quando as taxas do empréstimo são muito elevadas, em pouco tempo, podem tornar-se crédito malparado. A Grécia e o Sul da Europa não pedem mais dinheiro, apenas flexibilidade para usar os fundos disponíveis para lidar com a crise”.

Segundo a Fundação Francisco Manuel dos Santos, no primeiro trimestre de 2014, havia em Portugal 671 mil pessoas em incumprimento. Nesse período mais de 7500 famílias pediram ajuda à DECO.