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Turquia: ONU alerta para o maior movimento de refugiados desde o início do conflito na Síria

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Turquia: ONU alerta para o maior movimento de refugiados desde o início do conflito na Síria

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Dezenas de milhares de curdos da Síria atravessaram a fronteira com a Turquia nos últimos dias, em mais uma tentativa desesperada de fugir aos ataques dos jihadistas nas vilas onde moravam.
O exôdo intensificou-se na passada sexta-feira e em apenas 24 horas foram contabilizados cerca de 50 mil refugiados.

O número não pára de aumentar. A ONU alerta para uma situação de emergência sem precedentes, a maior desde o início do conflito na Síria. Carol Batchelor, representante do Alto Comissariado para os Refugiados da ONU na Turquia, lembra que “nos últimos três anos e meio não vimos cerca de 100 mil pessoas a cruzar a fronteira em apenas dois dias. Na Turquia já acolheu um milhão e 600 mil refugiados, agora mais 100 mil e, sinceramente, não sabemos o que o futuro nos reserva”.

Quem fugiu da cidade de Kobani conta agora histórias de terror cometidas pelos jihadistas: foram mortas pessoas de todas as idades. Dizem mesmo que os imams deixaram o alerta para a possibilidade serem mortos todos os curdos dos 7 aos 77 anos.

Ismail Ahmad é um desses refugiados, ainda em estado de choque com tudo o que está a acontecer e explica que “os extremistas entraram dentro das casas e levaram as mulheres jovens”.
E questiona “que tipo de muçulmanos serão os autores de tamanhas atrocidades e que os obrigaram a fugir para encontrar um abrigo.”

Os curdos são, maioritariamente, sunitas, mas os jihadistas consideram-nos apóstatas por causa da laicidade. Outros grupos religiosos, como os cristão e os xiitas, são também eles vítimas desta limpeza étnica. Pelo menos 64 aldeias nos arredores de Kobani foram tomadas pelos extremistas, fortemente armados, na última semana.

O Alto Comissariado para os Refugiados da ONU continua a pedir ajuda internacional para dar assistência a todos os que chegam à Turquia, sobretudo porque a organização ainda só recebeu um quarto dos 385 milhões de euros que solicitou para fazer face à chegada dos refugiados a território turco.