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França recusa austeridade

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França recusa austeridade

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A França vai precisar de mais dois anos do que o previsto para reduzir o défice público para os limites fixados pela União Europeia (3% do PIB). Um novo adiamento que deixa antever discussões difícies com Bruxelas.

A Alemanha já reagiu. Diz que está em causa credibilidade de todo o bloco.

Em 2015, o governo francês espera poupar 21 mil milhões de euros, mas quer adaptar a redução do défice ao contexto económico.

O ministro das Finanças, Michel Sapin, afirma: “Num cenário económico negativo, o governo decidiu manter a estratégia económica, apresentada na primavera, e vai respeitar os seus compromissos. Assumimos a responsabilidade de seriedade em termos orçamentais. Recusamos a austeridade”.

Paris espera um défice inferior a 3% do PIB só em 2017 e não em 2015. Um novo adiamento, quando Bruxelas já tinha dado dois anos extra.

No próximo ano, o défice deverá ficar pelos 4,3%, contra os 4.4% previstos para este ano. Para 2016 deverá situar-se em 3,8% do PIB.

Também a dívida pública vai continuar a subir, apesar de ter atingido o valor recorde de 2 biliões de euros e de ter duplicado numa década.

O economista Marc Touati considera que a França “não toma as boas medidas e precisa de uma terapia de choque”. E acrescenta: “Essa terapia de choque não foi implementada nem por Sarkozy nem por Hollande. É esse o drama. Vamos continuar a aumentar o défice e a dívida. Neste momento, as taxas de juro são muito baixas, mas um dia, os mercados vão acordar e as taxas vão disparar e teremos uma crise grega em França”.

Segundo as previsões do governo, a dívida deverá atingir este ano 95,3% do PIB e subir até aos 98% em 2016, antes de começar a baixar.

Mas a trajetória das contas públicas não convence o Alto Conselho das Finanças Públicas, que considera as previsões macroeconómicas muito otimistas.

No atual contexto, a França conta com o apoio de Itália, que considera também a austeridade contraproducente perante a frágil retoma económica da zona euro.