Última hora

Última hora

BCE detalha compra de activos mas não avança com a artilharia pesada

Em leitura:

BCE detalha compra de activos mas não avança com a artilharia pesada

Tamanho do texto Aa Aa

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) declarou esta quinta-feira que programa de compra de activos de dívida do sector privado irá durar pelo menos dois anos. O valor das várias medidas em curso pode atingir 1 bilião de euros, segundo Mario Draghi.

Apesar das reticências, em particular da Alemanha, o BCE vai começar a comprar obrigações garantidas já neste mês de Outubro para impulsionar o crédito às pequenas e médias empresas, que são a espinha dorsal da economia europeia. A compra dos chamados ‘asset-backed securities’ (ABS) arrancará até ao final do ano.

Quanto às políticas fiscais, Mario Draghi avisou que os países da zona euro não devem desbaratar “os avanços já realizados e devem proceder em linha com as regras do pacto de estabilidade e crescimento”. Algo que quer ver reflectido nas propostas orçamentais para 2015 até porque considera que “a flexibilidade existente nas regras deve permitir aos governos enfrentarem os custos orçamentais das grandes reformas estruturais”. Um recado de Draghi dirigido a França e Itália, que já anunciaram que não vão cumprir com as metas orçamentais.

O BCE decidiu também manter a taxa de juro directora nos 0,05%, depois de a ter colocado neste mínimo histórico em Setembro.

Com a inflação em queda e o crescimento estagnado, o BCE reitera disponibilidade para recorrer a “medidas não convencionais”, mas não fala para já na hipótese de compra de dívida soberana, a artilharia pesada que tem tido sucesso nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Em Nápoles, junto ao palácio do século XVIII onde decorreu a reunião, milhares de manifestantes quiseram dizer ao BCE para “parar de financiar os bancos, porque isso desencadeia um sistema de chantagem no financiamento”. Querem, em alternativa, que o dinheiro sirva para “financiar a saúde, a segurança social e a cooperação”, afirmou um dos presentes no protesto.