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Crise de refugiados na Europa

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Crise de refugiados na Europa

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O ano de 2014 já atingiu um triste recorde de mortes no Mediterrâneo. Mais de três mil migrantes morreram desde janeiro. A União Europeia deve mobilizar os meios para ajudar, reclama a Amnistia Internacional. Num relatório muito crítico acusa os Estados membros de passividade.A televisão suíça TSR conta a primeira história:
Estes são os que tiveram a sorte de serem socorridos pela tripulação da fragata Virginio Fazane. 130 mil migrantes foram recolhidos assim pela Marinha italiana ao longo do ano. A operação Mare Nostrum foi criada para evitar dramas como o que custou a vida a 500 exilados no dia 10 de setembro ou 360 em outubro de 2013 ao largo de Lampedusa.
Continua a haver muitos acidentes. A Organização Internacional para a Imigração publicou o relatório mais completo até agora: 3072 migrantes morreram só este ano, no Mediterrâneo. Um fluxo ininterrupto de candidatos à travessia que não parece recuar perante nenhum risco.
Face à urgência, as ONG’s mobilizam-se e divulgam os testemunhos dos sobreviventes, nomeadamente, nas redes sociais: “Não venham”, avisa um sobrevivente socorrido no momento:
Desaconselho esta via a todas as pessoas na Síria e noutros países. Não venham por esta via que e perigosa. Nalguns momentos, acreditei que ia morrer.”
Avisar mas também abrir vias terrestres mais seguras e acolher melhor os migrantes, é a mensagem da Amnistia Internacional aos Estados Europeus.
“Eles podem fazê-lo com o aumento das capacidades de acolhimento, com a concessão de mais vistos humanitários e o reagrupamento familiar de refugiados e de requerentes de asilo”.
Outra ação evocada: a luta contra os passadores. Como em Chipre, que durante o salvamento das pessoas, na quinta-feira, prendeu quatro sírios suspeitos de organizar a travessia para Itália. A Itália foi saudada pelas ONG’s pelo imenso envolvimento da Marinha que ter de de terminar a operação Mare Nostrum em novembro por falta de meios. Os Estados da União Europeia devem responsabilizar-se agora.

A RAI 1 escolheu o tema do acolhimento caloroso das famílias sicilianas aos sobreviventes do naufrágio, há um ano, em Lampedusa: “A emoção é tão forte , vê-lo depois de oito meses, é como um filho que nos faltava e que finalmente revemos”.
Como um filho, pois imediatamente depois do naufrágio de 3 de outubro, Tami encontrou uma família em Lampedusa. “Regressei para rezar pelos meus irmãos, que já não estão cá. E para agradecer aos que me ajudaram durante esse período,” conta com os olhos a brilhar. A ilha inteira acolheu assim os outros sobreviventes do naufrágio que chocou a Europa. “Considero-os como filhos e não apenas como sobreviventes. Agora vou levá-lo para casa. Tem de comer aqui mas depois vem para minha casa. Estou à beira das lágrimas”. “Quando os vemos aos abraços no aeroporto, temos a impressão que são da mesma família. Choram, beijam-se, é enternecedor. Isto mostra como é difícil para os sobreviventes regressarem e lembrarem uma história que não deve ser nada fácil e ter de a contar. “
Hoje, a primeira cerimónia ecuménica decretou um minuto de silêncio em memória das 368 vítimas, muitas das quais sem nome. Na jornada da memória a estrela de roseta acabará no fundo do mar onde o barco naufragou, a um passo da chegada. Uma data negra na história do Mediterrâneo onde esperança e vida continuam a naufragar. Mesmo hoje, ao largo da Líbia, um outro barco virou: 10 corpos foram recuperados e 70 continuam desaparecidos.

Além de Itália, a Alemanha também está na primeira linha de chegada. O número de pedidos de asilo subiu em flecha. A France 2 acompanhou o trabalho dos polícias:
O veículo despertou suspeitas: uma carrinha de vidros escuros com matrícula italiana. Para os agentes alemães há fortes possibilidades que transporte clandestinos. “Passeportes! De onde vêm? Da Síria?”
O condutor diz que é taxista. O polícia acha que é um passador. “Isto é o quê? É o dinheiro que vos deram para o trajeto, não é?
1 200 euros para passar a fronteira. Os passageiros só têm uma pergunta: “Já estamos na a Alemanha?”.
O presumível passador fica detido. A família está no fim do seu périplo e pode pedir asilo. “No Iraque, na Palestina, em todos os países árabes há guera. Não podemos lá ficar”.
Para chegar, há duas vias principais para a imigração clandestina na Europa. Uma é a rota do sul. A outra é a do leste, a partir de Istambul. Os dois itinerários juntam-se em Rosenheim, no sudeste da Alemanha.
Os polícias estão atentos a todas as chegadas. Desta vez foi um comboio, onde os clandestinos conseguiram esconder-se em todos os controlos mas não na estação final. Tinham bilhete de viagem mas nenhum visto de residência.
O polícia conta: “69, 70, 71, 72” “Não temos capacidade para acolher tantas pessoas. Vai ser preciso requisitar um ginásio, camas de campanha, chamar ONG’s e os serviços sociais pois há muitas crianças e não temos capacidade”.
No fim da viagem, esperam encontrar família já instalada ou encontrar um emprego rapidamente. É por isso que a Alemanha é o país que recebe mais pedidos de asilo.

A Alemanha está em estado de choque por causa das imagens filmadas pela televisão pública espanhola num centro de acolhimento para requerentes de asilo na Renânia do Norte-Westefália. Reportagem:
Não é Abu Graib, mas um centro de acolhimento na Alemanha. Dois guardas riem enquanto um deles pisa com a bota a cabeça de um argelino algemado. Nas imagens, um refugiado é obrigado a deitar-se num colchão todo vomitado e suplica: “não me batam”!
As imagens representam, segundo diferentes Media, a ponta do iceberg da situação vivida nos centros que acolhem quem pede asilo. Os refugiados estão saturados, sujos, mal alimentados, doentes e maltratados.
Seis guardas de segurança da empresa que explora o centro foram acusados por causa da violência e a empresa que os contratou afirma estar em choque.
O debate está em aberto na sociedade alemã: é lícito ganhar dinheiro com refugiados, privatizando os serviços? Este país, que nada na abundância, não pode oferecer melhores condições a refugiados de guerra? Uma simples foto fez mais pela tomada de consciência dos alemães sobre a situação dos refugiados no país do que todos os apelos para aumentar o orçamento e melhorar as suas condições de vida.
“Perante o aumento constante do número de refugiados, que em agosto já era de mais de 100 mil, 62% a mais do que no ano passado, o governo alemão quer rever as quotasde acolhimento dos refugiados. E afirma que, dos 28 países da União Europeia, só 10 acolhem um número significativo de refugiados.