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Luta contra ébola deixa milhares de crianças sem cuidados primários

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Luta contra ébola deixa milhares de crianças sem cuidados primários

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Mesmo quando escapam ao contágio pelo vírus do Ébola, milhares de crianças sofrem com o caos que a epidemia causou nos sistemas de saúde.

Falta de vacinação ou de cuidados pré e neo-natais são alguns dos riscos que ameaçam potencialmente 2,5 milhões de crianças com menos de cinco anos na Guiné, Serra Leoa e Libéria.

Acabada de chegar de Monróvia, capital da Libéria, a chefe de comunicação para crises da Unicef, Sarah Crowe, diz que “é muito importante revitalizar os serviços básicos de saúde, o que implica incentivar, nomeadamente com salários adequados, os enfermeiros e outros agentes de saúde, de forma que haja pessoal nos centros”.

“Caso contrário, seria um ultraje absoluto se cada vez mais crianças começassem a morrer de doenças evitáveis como o sarampo em paralelo com esta epidemia horrível”, acrescentou em entrevista à euronews.

Apesar dos apelos à comunidade internacional, esta agência das Nações Unidas para o bem-estar das crianças só recebeu 25% dos 160 milhões de euros necessários à ajuda de emergência.

Mas além de dinheiro, falta espírito de solidariedade, incluindo da comunidade humanitária.

“As pessoas têm medo de ir para lá. Muitas organizações não governamentais da área da saúde deixaram o país. Algumas começam a regressar porque perceberam que, se não for contido na África Ocidental, o Ébola vai espalhar-se. Este é cada vez mais um problema global, que precisa de uma solução global”, explica Sarah Crowe.

A formação de assistentes sociais e financiamento de campanhas de sensibilização são outras prioridades; sobretudo porque o medo do contágio leva a que muitos dos 3700 órfãos causados pela epidemia estejam a ser abandonados pelas famílias alargadas.