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Beckenbauer quer relatório da FIFA sobre corrupção divulgado

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Beckenbauer quer relatório da FIFA sobre corrupção divulgado

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A FIFA solicitou ao advogado Michael Garcia um relatório sobre a existência de alegada corrupção no processo de escolha dos países organizadores dos Mundiais de 2018 e 2022. O investigador dedicou 18 meses ao trabalho e gostava de ver o resultado publicado, mas o presidente organismo que superintende o futebol mundial, o suíço Sepp Blater, quer manter esse documento de 350 páginas como um ficheiro secreto. O lendário Franz Beckenbauer não concorda.


Em nome da transparência, o alemão, de 69 anos e membro do comité executivo da FIFA até 2011, defende que, se organismo nada tem a esconder, nomeadamente sobre as suspeitas que recaem nas escolhas de Rússia e Qatar como países organizadores, respetivamente, dos Mundiais de 2018 e 2022, deve revelar as conclusões do já apelidado “Garcia Report.”

“Dou a minha opinião enquanto mero espetador e pessoa interessada. Se não há nada a esconder, então deve publicar-se o relatório. Por isso, quando a FIFA admite que deve publicar, então deve mesmo publica-lo. Não há nada com que se preocupar”, afirmou o antigo capitão da seleção alemã e também ex-presidente do Bayern de Munique, durante a conferência Segurança no Desporto, em Londres.

O ilustre alemão não é, contudo, a única respeitada figura do futebol mundial a defender a transparência da investigação de Michael Garcia. Há mais e entre elas está, inclusive, o presidente da UEFA, o francês Michel Platini. Todos defendem uma maior transparência para o futebol e, como tal, a revelação deste relatório. A FIFA recusa, por alegadamente pretender garantir a confidencialidade das fontes que colaboraram na investigação.

Um dos intervenientes contactados por Michael Garcia para colaborar foi Beckenbauer. Ao ter recusado colaborar com a investigação, em junho passado, o alemão foi suspenso de forma temporária pela comissão de ética da FIFA de toda e quaisquer atividades relacionadas com futebol.


O “Kaiser” teve direito de voto no processo de atribuição da organização dos Mundiais de 2018 e 2022, insiste em manter secreto os seus votos, mas nega ter recebido qualquer proposta de suborno. “Ninguém me abordou diretamente. Ninguém me ofereceu nada no sentido de influenciar os meus votos”, garantiu.

A Rússia ganhou a corrida à organização do Campeonato do Mundo de 2018 numa segunda votação, depois de a Inglaterra ter sido eliminada na primeira, com um total de 13 votos, contra sete da candidatura ibérica (Portugal e
Espanha) e dois do projeto conjunto entre a Holanda e a Bélgica.

O Qatar foi escolhido para anfitrião Mundial de 2022 após quatro votações. Após as sucessivas eliminações da Austrália, Japão e Coreia do Sul, o Qatar venceu a candidatura dos Estados Unidos por 14 votos contra oito.