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"A Boa Mentira" recupera o drama dos orfãos de guerra no Sudão


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"A Boa Mentira" recupera o drama dos orfãos de guerra no Sudão

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Reese Witherspoon está de regresso aos escaparates das salas de cinema com “A Boa Mentira” (“The Good Lie”, no título original). O argumento deste filme realizado pelo canadiano Philippe Falardeau foi escrito por Margaret Nagle e baseia-se na história verídica dos “meninos perdidos” (“Lost Boys”), muitos deles órfãos, que tiveram de fugir do Sudão face à segunda guerra civil iniciada naquele país há mais de 30 anos.

A atriz, de 38 anos, interpreta o papel de “Carry”, uma mulher que decide acolher quatro jovens refugiados do Sudão, integrantes dos grupos conhecidos como “meninos perdidos”, e os ajuda a recomeçar a vida nos Estados Unidos, para onde os rapazes receberam autorização de viajar. Whiterspoon pôde testemunhar, em Kakuma, no Quénia, as dificuldades por que passam as vítimas colaterais de guerras em África quando têm de viver em campos de refugiados sobrelotados.

“Não interessa quantos documentários vimos ou o muito que lemos, a experiência de podermos assistir com os próprios olhos é extraordinária. Ter visto mais de 250 mil pessoas a viver num mesmo espaço, e com tão pouco, foi extraordinária. Fico feliz por termos feito um filme que – espero – possa ajudar a chamar a atenção para o que se está a passar nos campos de refugiados”, expressou Reese Whiterspoon, na promoção deste “A Boa Mentira”, o qual teve estreia mundial na recente edição do Festival de Cinema de Toronto.

Os “meninos perdidos do Sudão” é o nome dado aos mais de 20 mil jovens de várias etnias sudanesas perseguidas que procuraram proteção em campos de refugiados durante a segunda guerra civil no país (1983-2005, que provocou mais de 2,5 milhões de mortos e milhões de deslocados ao longo de 22 anos. Alguns desses jovens refugiados conseguiram o salvo conduto para rumar a outros países de acolhimento e relançarem as suas vidas.

Para interpretar os quatro refugiados que viajam para os Estados Unidos em “A Boa Mentira”, os produtores do filme contrataram mesmo atores sudaneses. Entre eles, duas antigas crianças-soldados no Sudão: o agora músico de Hip Hop Emmanuel Jal e o modelo Ger Duany. Este último, aos 35 anos, já com alguma experiência na sétima arte após participações em filmes como “Psico-Detetives” (a estreia, em 2004) ou “The Fighter: O Último Round” (2010).

“O sofrimento naquela região continua. É por isso que é importante partilhar este filme por todo o Mundo. Para que as pessoas saibam exatamente o que ali se está a passar”, alerta Ger Duany, um nativo de Akobo, no Sudão do Sul, que, após ter sido obrigado a pegar numa arma e a entrar na guerra, conseguiu fugir aos 14 anos para a Etiópia, passou pelo Quénia e, aos 16, chegou aos Estados Unidos onde refez a vida.

Depois de “O Rebelde Salvador” (“Machine Gun Preacher”), com Gerard Butler (2010), o drama dos “meninos perdidos” do Sudão está de volta ao grande écran. “A Boa Mentira” estreou a 9 de outubro em Portugal e chega ao Brasil no final de novembro.

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