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"Cartoon Forum" celebra 25 anos com recorde de participação

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"Cartoon Forum" celebra 25 anos com recorde de participação

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A conferência internacional de animação para televisão “Cartoon Forum” celebrou este ano, em Toulouse, França, a 25.a edição. Um quarto de século abrilhantado pela participação recorde de 870 profissionais oriundos de 30 países. Cerca de 250 potenciais investidores avaliaram os 84 novos projetos propostos para séries de animação para TV.

O enviado especial da euronews ao “Cartoon Forum” adianta que nesta conferência “anda tudo à volta de dinheiro, de muito dinheiro”. “Aqui, reúnem-se produtores, estações de televisão e investidores com o objetivo de assistir a ‘trailers’ e apresentações de projetos, conversar e fazer negócios”, explica-nos Wolfgang Spindler.

Nesta conferência, as estações de televisão assumem um papel de destaque assim como os representantes das plataformas digitais que procuram renovar os conteúdos das respetivas ofertas de “video on demand” (VoD). “A pedra-de-toque é a apresentação dos projetos. Só há um bom primeiro impacto. O ‘stress’ acumula-se e o tempo aumenta a pressão. O que importa saber? Que cada projeto conta com um apresentador experiente que o pode orientar”, prossegue o nosso enviado.

Apresentar um novo projeto diante de uma vasta plateia não é tarefa fácil. Em especial quando o objetivo é convencer a audiência a investir dinheiro.

“Wolfie” é um projeto irlandês para uma série infantil de televisão com 52 episódios, de 11 minutos cada. “Vai precisar de muito dinheiro?”, perguntámos a Andrew Fitzpatrick, um dos responsáveis pela série, que confessou: “Muito, mesmo muito”. “Mas no passado já o conseguimos e estou certo de que o vamos conseguir outra vez. Temos muitos interessados nesta série e são apenas 4,5 milhões de euros”, atirou entre risos.

Fundadora e diretora executiva da empresa de jogos de vídeo alemã FFF Bayern, Michaela Haberlander explica que “as apresentações devem ser curtas”. “Não é preciso muita conversa. Basta mostrar do que fala na série. Mas, claro, boa caracterização e uma apresentação engraçada ajudam”, completa.

O que será o mais importante para um produtor quando tem de falar à plateia? “Não fazer xixi nas calças com os nervos”, brinca Paul Young, produtor e diretor executivo do “Cartoon Saloon”, sugerindo, sobretudo, “muito calma e boa preparação” para que uma apresentação decorra da melhor forma.

A produtora Joan Lofts salienta que “é necessário disciplina para se conseguir apresentar um projeto no tempo disponível e dar à plateia a informação essencial”. O realizador francês Francis Nielsen acrescenta que “tem de se dar ênfase à criatividade e mostrar que realmente se está determinado no projeto.”

Este ano, no “Cartoon Forum”, houve um aumento de propostas de séries híbridas, isto é, que misturam animação e realidade. “Erneste & Celestine”, projeto francês de uma versão televisiva baseada no filme com o mesmo nome nomeado para os Óscares deste ano, foi uma das apresentações que mais atenção atraiu. Será que uma produção como esta – com toda a ajuda do Estado francês para o audiovisual e com o sucesso de bilheteira – precisa de parceiros para produzir 26 episódios de 13 minutos para televisão?

“É uma produção que vai ser bastante dispendiosa. Queremos faze-la de forma sofisticada e com critérios de alta qualidade. Para isso, precisamos de dinheiro. E dinheiro significa encontrar parceiros na Bélgica, na Alemanha, na Escandinávia ou, porque não, fora da Europa. Talvez no Canadá ou nos Estados Unidos”, perspetivou Didier Brunner, fundador da “Les Armateurs”, produtora francesa da qual abdicou no início deste ano da presidência.

A indústria de animação europeia, entretanto, parece estar em recuperação qualitativa. “Parte da produção que vinha sendo feita desde há muito por subcontratados na Ásia está a voltar para a Europa. Uma das razões é a tecnologia, que mudou e reduziu os custos. Por outro lado, os produtores europeus pretender aumentar a qualidade dos projetos e, por isso, estão a concentrar a produção na Europa”, explicou Marc Vandeweyer, diretor geral da “Cartoon Movie.”

Um dos problemas, porém, são ainda os custos. Metade das séries europeias custa entre os 5 mil e os 10 mil euros por minuto. São, por isso, precisos milhões só para uma série. No último quarto de século, 34 por cento das séries apresentadas neste fórum conseguiram financiamento. Essa percentagem representa mais 500 projetos financiados em 25 anos. “Essas séries de animação que conseguiram financiamento representam qualquer coisa como 2 mil milhões de euros. Isso merece festa. Parabéns, ‘Cartoon Forum’”, conclui Wolfgang Spindler.