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Rússia e China reforçam aliança contra o dólar e o euro

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Rússia e China reforçam aliança contra o dólar e o euro

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A Rússia e a China assinaram esta segunda-feira 38 novos acordos de cooperação energética, financeira e militar. Um dos pontos-chave desta aproximação, que no global se pode avaliar em quase 20 mil milhões de euros, passa por uma tolerância cambial nos próximos 3 anos, que admite o comércio entre ambos os países recorrendo às respetivas divisas (rublos e yuans), reforçando-lhes o valor e reduzindo a dependência financeira face ao dólar e ao euro.

O reforço da cooperação entre Moscovo e Pequim via aliviar ambas as economias face às respetivas pressões exteriores. No caso da Rússia, pelas sanções ocidentais sofridas devido à crise na Ucrânia e à anexação da Crimeia. No de Pequim, pelo crescente afastamento do Japão provocado por uma disputa insular no Mar da China Oriental.

Anfitrião de uma visita de três dias do primeiro-ministro chinês, o homólogo russo, Dmitri Medvedev, destacou o papel dos bancos nos acordos: “A situação global do setor financeiro não é a melhor. Nem todos os países estão a desenvolver-se com fluidez. Nós, temos também os nossos problemas. Ainda assim, os nossos maiores bancos acordaram a abertura de linhas de crédito para estes projetos conjuntos com a China.”

Li Keqiang lembrou que “o comércio internacional atravessa uma grave situação”, mas salientou, que, apesar desses “tempos difíceis”, “os negócios entre a China e a Rússia têm crescido de forma dinâmica”. “Só isto revela-nos um grande potencial de cooperação”, considerou o chefe de Governo chinês.

O fornecimento energético saiu também reforçado. Dados recentes indicam que o fornecimento de petróleo russo à china aumentou cerca de 45 por cento entre janeiro e setembro face ao mesmo período do ano passado. Depois do acordo estabelecido em maio para o aumento da exportação de gás para a China, a Rússia poderá ver nascer nos próximos anos um novo gasoduto para intensificar esse fornecimento ao maior consumidor do mercado asiático e com isso contrariar as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) de um crescimento económico russo de apenas 0,2 por cento este ano e de 0,5 por cento em 2015.

Li Keqiang chegou a Moscovo proveniente da Alemanha. Após três dias na capital russa, que deverão incluir uma reunião com o Presidente Vladimir Putin esta terça-feira, o primeiro-ministro chinês é esperado no final da semana em Itália para uma cimeira de líderes euro-asiáticos.