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Qualificação Euro 2016: CR7 dá "asas" a Santos e Portugal já vence

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Qualificação Euro 2016: CR7 dá "asas" a Santos e Portugal já vence

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Ao segundo jogo, a primeira vitória na fase de qualificação para o Campeonato da Europa de 2016. Na estreia oficial de Fernando Santos, como substituto de Paulo Bento à frente da equipa, Portugal visitou e venceu a Dinamarca, por um só golo marcado mesmo ao cair do pano sobre os 5 minutos de descontos dados pelo árbitro, o alemão Felix Brych.

Três dias depois de um ensaio diante da França, que marcou a estreia absoluta do “engenheiro” como novo seleccionador nacional, a Equipa das Quinas surgiu em Copenhaga com um “onze” melhor estruturado dom que em Paris e a dar esperanças de progresso de uma equipa que desde o início do Mundial, em junho, vinha caindo numa estranha depressão. A estranha derrota em casa diante da Albânia, no arranque desta fase de qualificação e que custou o lugar a Paulo Bento, havia sido a última prova deste momento negativo da equipa portuguesa.

Desta feita, Fernando Santos deixou no banco Bruno Alves – um dos elementos mais infelizes dos últimos meses – e apostou no “retratado” Ricardo Carvalho. No miolo, com naturalidade, William Carvalho surgiu como pivô defensivo, libertando Tiago, num triângulo completado pelo habitual João Moutinho. Na frente, o mesmo “trio dinâmico” já apresentado sábado diante dos gauleses, com o também regressado Danny entre o capitão Cristiano Ronaldo e Nani.

Frente a uma equipa sem o potencial dos franceses, mas tradicionalmente bem arrumada por esse “mocho” do futebol, de 65 anos, chamado Morten Olsen, este “novo” Portugal do engenheiro Fernando Santos surgiu bem melhor em campo do que no último sábado. Apenas nas laterais, sobretudo à esquerda com Eliseu, se revelavam algumas brechas. Cedo, também, o meio campo revelou uma estranha falta de intensidade e dinâmica. Moutinho e Tiago não criavam desequilíbrios e falhavam na fluidez das transições de jogo.


Foi, ainda assim, de Portugal, a primeira oportunidade. Uma combinação entre Danny e Ronaldo, com o capitão a obrigar Kasper Schmeichel, a dois tempos, à primeira defesa do jogo. De notar que o actual guarda-redes dos nórdicos, de 27 anos, é filho da lenda futebolística dinamarquesa que passou pela baliza do Sporting entre 1999 e 2001, período no qual, com 14 anos, conviveu de perto com a então estrela em ascensão e hoje capitão da selecção portuguesa.

Danny também teria oportunidade de colocar o jovem Schmeichel à prova, após nova combinação com CR7. A Dinamarca dominava a posse de bola, Portugal criava as oportunidades. O golo parecia iminente. Mas faltava mais meio-campo ofensivo aos portugueses. Havia estrutura, mas rareava engenho.

Sobre a meia hora, susto para Rui Patrício. Krohn-FDeli ganha espaço na zona de Cédric e atira cruzado, em jeito, ao poste. Ma resposta, o ataque português perdia-se num género de “tiki taka” estéril. A segunda parte começou à imagem da primeira, com um duelo entre Ronaldo e Schmeichel. Após assistência de Danny, o “7” teve tudo para abrir o marcador. À imagem do pai, Kasper saiu da baliza, abriu-se perante Ronaldo e defendeu o remate. O português desesperou. No canto consequente, William Carvalho atirou sobre a barra.

Pouco depois, num lance fortuito – Nicolai Boilesen foi atingido pelo remate de um companheiro, Agger -, Morten Olsen viu-se obrigado a mexer na equipa e colcou Simon Poulsen na lateral esquerda. Com a equipa cada vez mais longe do golo, Fernando Santos chamou João Mário ao jogo, por troca com o apagado Nani, e trocou o 4×3×3 pelo 4×4×2, com um meio-campo em losango, constituído por 4 médios centros pouco dados às alas.

Os nórdicos iam conseguindo aproximar-se da área, obrigando Ricardo Carvalho e Pepe a desdobrarem-se à largura do campo, para compensar os laterais. A ideia de que “quem não marca acaba por sofrer” começou a pairar sobre os portugueses. A preocupação era notória no rosto do seleccionador, que, a 15 minutos do fim, trocou Danny por Éder. Pouco se alterou. Faltava quem lateralizasse e cruzasse. Quaresma entrou em campo, aos 85 minutos – saiu Tiago. A primeira intervenção foi desastrada. E outras más opções do “ciganito” se seguiram. Parecia mais uma oportunidade perdida do outrora “mustang”. Até aos 95 minutos.


O árbitro deu cinco minutos de desconto. Ronaldo revelava algum nervosismo e viu um amarelo sobre os 90 por isso mesmo. Até que chegou o derradeiro minuto do jogo. Quaresma, pela direita, insistiu no 1×1, ganhou a linha de fundo e tirou um cruzamento forte. Na entrada da pequena área, Ronaldo saltou mais alto que Kjaer, Schmeichel saltou fora de tempo e ficou fora do lance. A bola balançou as redes. golo. Explosão de alegria em Portugal, festa desenfreada de Ronaldo e companhia. O jogo ainda durou um pouco mais do que os 96 minutos, mas os três pontos já não fugiriam a Portugal.

Com pouco engenho, é certo, mas para a história o que fica é a entrada a ganhar em jogos oficiais de Fernando Santos como seleccionador nacional. Para Ronaldo, foi o 51.° golo em 116 internacionalizações, o que o reforça como melhor marcador da história da selecção (Pauleta é o segundo com 47). Dez anos depois de se ter estreado no Euro’2004 em Portugal, o capitão da Equipa das Quinas igualou ainda o dinamarquês John Dahl Tomasson e o turco Hakan Sukur no topo dos melhores marcadores da história em jogos a contar para Europeus, com 22 golos – seis dos quais em fases finais, onde o francês Michel Platini (9) e o inglês Alan Shearer (7) lideram.


Com a outra partida do grupo, o Sérvia-Albânia, a ser suspensa devido a incidentes extra-futebol entre jogadores de ambas as selecções, Portugal subiu a terceiro lugar do grupo com 3 pontos em 2 jogos. Com as mesmas duas partidas já disputadas, a Albânia surpreende na liderança, com 4 pontos (vitória em Portugal e empate em casa com a Dinamarca). Os nórdicos são segundos, com 3 pontos (vitória na primeira jornada na recepção à Arménia).

Próxima jornada: 14 de novembro
Portugal-Arménia (Estádio do algarve)
Sérvia-Dinamarca (Belgrado)

Reações:
Fernando Santos (seleccionador de Portugal)
“A Dinamarca é uma equipa muito forte. Muito provavelmente, eles viram o nosso jogo com a França e por causa disso mudaram o sistema táctico para 4-4-2 em vez do tradicional 4-3-3. A primeira parte foi equilibrada. Após o intervalo, alterámos o posicionamento dos laterais, que passaram a subir mais e a pressionar mais à frente. Resultou bem. Fomos a melhor equipa no segundo tempo e criámos as melhores ocasiões de golo. O Cristiano Ronaldo é o Cristiano Ronaldo. É um vencedor.”

Cristiano Ronaldo (capitão de Portugal e autor do golo)
“É preciso alguma inteligência nas movimentações. Eu conheço o Quaresma, sabia mais ou menos onde ele ia meter a bola e por isso fui para o primeiro poste. Como eles eram todos muito altos tentei adivinhar o lance e fiz o que tinha de fazer: marcar. Temos de acreditar sempre até ao último minuto e eu tenho de tentar sempre o meu melhor para marcar se a oportunidade surgir. O treinador fez um grande trabalho. É um grande homem, um grande treinador e transmitiu-nos confiança ao intervalo. Estou muito feliz com ele. Virámos uma página. Agora há que pensar no presente e o presente é bom. A equipa esteve bem. Houve muitas mudanças no nosso sistema de jogo e é uma questão de tempo até nos adaptarmos totalmente a ele. Penso que demos uma boa resposta frente à França e acredito que esta noite fomos justos vencedores.”

Morten Olsen (seleccionador da Dinamarca)
“Esta noite não fomos suficientemente bons. Faltou-nos profissionalismo nos instantes finais. Este era um típico jogo para 0-0, que teria sido justo e um resultado fantástico para nós frente a um adversário directo. No período de descontos, há que fechar a defesa e evitar que o adversário cruze para a nossa grande área. Não importa que tenha sido um grande cruzamento. Alguns jogadores estiveram abaixo das suas possibilidades. Na primeira parte ficámos muito perto do golo, mas acertámos no poste. O nosso estilo de jogo foi mais directo esta noite porque precisávamos de mais largura no nosso jogo. Por isso que mudámos o sistema táctico.”