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Itália: Cimeira euro-asiática com foco na Ucrânia e no gás russo

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Itália: Cimeira euro-asiática com foco na Ucrânia e no gás russo

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É com o foco apontado ao terceiro frente-a-frente dos presidentes da Rússia e da Ucrânia que arranca esta quinta-feira, em Milão, Italia, a 10.a cimeira de líderes euro-asiática (ASEM, na sigla inglesa). Depois do aperto de mão em junho, na Normandia, e da reunião formal, no final de agosto, em Minsk, este novo encontro de Vladimir Putin e Petro Poroshenko está previsto para sexta-feira de manhã, à margem da ordem de trabalhos prevista para a cimeira, e será moderado pelo anfitrião, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, cujo executivo preside este semestre à liderança rotativa da União Europeia (UE).

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Putin está em Milão como presidente de um dos 53 países membros da ASEM, enquanto Poroshenko foi convidado pelo próprio Renzi. Neste encontro estarão presentes, tudo indica, outros pesos pesados da política internacional como o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso; o primeiro-ministro britânico, David Cameron; o Presidente francês François Hollande; e a chanceler alemã, Angela Merkel.

O ponto central da agenda deste encontro será a aplicação do acordo de paz para o leste da Ucrânia cujos princípios ficaram estabelecidos, no final de agosto, na Bielorrussia, entre Poroshenko e Putin. No terreno, porém, pouco tem sido feito e o braço de ferro entre os separatistas pró-russos e as forças governamentais ucranianas mantém-se, num conflito que já custou mais de 3600 vidas.


Angela Merkel espera mais do que palavras de Vladimir Putin após esta reunião. “Espero uma conversa aberta e avanços na implementação do acordo de Minsk. Este progresso ainda não se verificou na Ucânia segundo os pontos desse acordo. Por isso, vamos debatar uma forma de tornarmos este acordo de Minsk uma realidade”, antecipou a chanceler alemã.

Outra questão sensível na agenda será a energética. “A União Europeia depende em 40 por cento do gás russo e 80 por cento desse fornecimento atravessa a Ucrânia”, explicava em maio, à Lusa, Moreira da Silva, o ministro português da Energia, reclamando na altura um papel mais ativo do Terminal de Gás Natural Liquefeito de Sines para reduzir a dependência dos “28” do gás russo.

Mesmo com as sanções a Moscovo a intensificarem-se, o fornecimento mantém-se. As avultadas dívidas de Kiev levaram o Kremlin a reduzir drasticamente o fornecimento à Ucrânia e a criar alternativas para levar o gás ao resto da Europa sem passar pelo território ucraniano.

As sanções do ocidente à Rússia, contudo, mantêm-se, e por isso é preciso negociar com Vladimir Putin este fornecimento de gás sem recuar na pressão exercida para resolver a questão ucraniana. Mas, com o gás russo a constituir ainda um terço do que é consumido na União Europeia e apesar das tentativas de reduzir a dependência energética do gigante de leste, os “28” estão obrigados a manter este laço com Moscovo e a procurar uma solução de compromisso.