Última hora

Última hora

O pesadelo do Ébola

Em leitura:

O pesadelo do Ébola

Tamanho do texto Aa Aa

Gueckedou, na Guiné-Conakri, é o epicentro da epidemia do Ébola que, em sete meses, fez mais mortos do que em 40 anos.

A OMS e a ONU já não minimizam o que se passa, pelo contrário: a situação é preocupante. O número de casos continua a aumentar e a contaminação pode, facilmente, ganhar terreno. O Ébola de 2014, é da estirpe mais perigosa.

Houve cinco epidemias, no total, quatro em África. O Ébola Zaire, identificado pela primeira vez em 1976, é o mais agressivo. O vírus não se contagia quando está em incubação, um período que pode ir de 2 a 21 dias. Quando o paciente apresenta sintomas é quando o contágio é insidoso: faz-se através do contacto com saliva, sangue, suor, lágrimas, fezes ou esperma. Os fluidos corporais com que é mais fácil entrar em contacto, nomeadamente nos cuidados materno-infantis, sejam familiares das vítimas ou pessoal médico.
Estas duas categorias de pessoas são as mais afetadas pelo Ébola.
Se o pessoal médico deve adotar precauções máximas, que nem sempre funcionam, o que dizer de uma mãe que cuida de um filho doente? Quantas se vão proteger?

O primeiro problema que se coloca nesta fase é a rapidez da propagação, como revela um médico liberiano, Moses:

“Os pacientes em isolamento podem ficar melhores ou morrer. Alguns são suficientemente fortes e vão embora das unidades, para casa, pois têm de comer, mas vão infetar outros membros da comunidade, o que provocará mais infeções na rua”.

Fernando Fernandes, médico da ECHO:

“Precisamos de ter a certeza de podermos isolar os casos suficientes para evitar que mais pessoas sejam infetadas pelo vírus. Esse é o ponto exato para quebrar a cadeia de contágio e controlar a epidemia. Mas ainda não chegámos lá.

Entre 1976 e 2012, diversas epidemias do Ébola causaram 1590 mortos.

Em outubro de 2014, com 8900 casos, estão registadas mais de 4400 mortes. Uma taxa de mortalidade entre 50 a 70%.
Mas o pior está para vir: a doença está a progredir, com 1000 novos casos por semana. Em dezembro, serão entre 5 mil a 10 mil novos casos por semana.

Se a epidemia não for erradicada em África, como evitar a propagação a outros continentes?
Foram decretados meios drásticos na Europa e na América, como protocolos de segurança e de colocação em quarentena.
Mas os casos de Espanha e dos Estados Unidos mostram o quão específica e diferente é esta epidemia.