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França recorre a Berlim para relançar economia a nível europeu

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França recorre a Berlim para relançar economia a nível europeu

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Com Portugal atento, os ministros da Economia e Finanças de França e Alemanha reuniram-se esta segunda-feira em Berlim para debater uma estratégia que permita, sobretudo, a Paris criar as bases para conseguir a aprovação da Comissão Europeia do respetivo Orçamento de Estado para 2015, com um défice estimado agravado de 4,4 por cento. O executivo de François Hollande conta que Bruxelas aceda a um segundo adiamento para que possa colocar a segunda maior economia da União Europeia (UE) na meta preestabelecida dos três por cento de défice.

Portugal, por seu turno, estima ultrapassar em duas décimas a meta acordada com a “troika” para 2015 (2,5 por cento de défice face ao PIB) e arrisca o chumbo de Bruxelas à proposta de Orçamento de Estado “desenhada” pela equipa de Maria Luís Albuquerque. Um evental adiamento da meta francesa de 3 por cento – que deverá ter uma derrapagem bem superior no próximo ano – poderia dar igualmente folga às contas portuguesas.

A chanceler alemã, Angela Merkel tem vindo, no entanto, a defender que todos os Estados membros sem exceção devem respeitar as regras estabelecidas pelo Tratado Orçamental. A reunião de Berlim entre os ministros da Economia e das Finanças – Michel Sapin e Sigmar Gabriel, e Emmanuel Macron e Wolfgang Schäuble, respetivamente -, colocou franceses e alemães a trabalhar lado-a-lado no desenvolvimento de medidas para reforçar o investimento na Europa e, em particular, entre as duas maiores economias da UE.

Paris espera mais investimento público alemão e Michel Sapin sublinha que uma reação forte à má situação económica no espaço da moeda única seria do interesse de todos sem excepção. “A situação económica na zona euro está pior do que o previsto. É preciso reagir a este percalço para que possamos garantir um crescimento mais sustentado. É do interesse de todos. É, obviamente, do interesse da França, que tem em mãos um enorme problema para recuperar a indústria e ao mesmo tempo combater o desemprego. Em particular, o desemprego jovem. Mas creio que esta reação seja também do interesse de todos, independentemente do nível de crescimento ou de desemprego que possuem”, defendeu, em conferência de imprensa, o ministro das Finanças de França.

Sans une action concertée de la France et de l’Allemagne, nous ne serons pas à la hauteur des évènements. pic.twitter.com/HZpAwnFf6j— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) 20 outubro 2014

O responsável pela economia alemã não fechou a porta à participação de Berlim nessa reação, mas deixou um aviso de que o investimento não pode ser a qualquer custo nem colocar em causa os próprios problemas. “Na Europa, não precisamos de pedantismo nem de nos confrontarmos entre nós. Todos temos de lidar com os respetivos problemas tendo em conta os interesses comuns europeus. Precisamos de manter a nossa competitividade numa economia global e, se possível, expandi-la para que possamos manter os nossos padrões sociais, a nossa segurança social, mas também continuar a controlar com sucesso os nossos investimentos na cultura e na sustentabilidade ecológica”, disse Sigmar Gabriel, o ministro social-democrata da Economia alemã.

Da reunião de Berlim, saiu o anúncio através de Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, da elaboração de um conjunto de propostas franco-alemãs para aumentar o investimento bilateral em ambos os países, as quais deverão ser apresentadas a 1 de dezembro.